<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5083967186888398674</id><updated>2010-05-20T23:52:18.411-04:00</updated><title type='text'>The Field Linguist</title><subtitle type='html'>Linguists in the field and the field of linguistics &lt;br&gt;(from a South American perspective)</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://blog.wado.us/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default?orderby=updated'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog.wado.us/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25&amp;orderby=updated'/><author><name>Eduardo Rivail Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08756377846146708276</uri><email>noreply@blogger.com</email></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>55</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5083967186888398674.post-221915849660123858</id><published>2010-01-22T11:58:00.011-05:00</published><updated>2010-01-27T17:06:45.022-05:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Otí'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='jornalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ofayé'/><title type='text'>D. Maria Rosa: a última dos Otí?</title><content type='html'>Em 2004, o quadro "Cena Mágica" do programa &lt;em&gt;Fantástico&lt;/em&gt;, da Rede Globo, levou ao ar &lt;a href="http://bit.ly/mariarosa"&gt;um trecho&lt;/a&gt; do documentário &lt;em&gt;Terra dos Índios&lt;/em&gt;, do cineasta Zelito Viana (1979). No trecho (gravado em Bauru, SP, em 1978), a índia Maria Rosa — identificada no documentário como a última remanescente Ofayé — parece travar um "diálogo" com sua própria voz registrada por um gravador. A narração, na inconfundível voz de Fernanda Montenegro, descreve assim a cena, singela e comovente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;"Não tendo ninguém com quem possa falar sua língua, Dona Maria Rosa, ao ouvir o gravador repetindo suas palavras, acreditou que pudesse estabelecer um diálogo com a máquina. Faz perguntas como: Cadê meu pai? Cadê minha mãe [...]."&lt;/blockquote&gt;O documentário, no entanto, se engana. Primeiro porque, &lt;a href="http://bit.ly/carlito"&gt;de acordo com o historiador Carlos Alberto dos Santos Dutra&lt;/a&gt;, Maria Rosa (falecida em 1988, aos 122 anos de idade) seria uma sobrevivente da tribo Otí (esta, de fato, agora extinta). Mas, mesmo se fosse Ofayé, não seria a última remanescente da tribo: enquanto o documentário, ecoando autoridades como Darcy Ribeiro (e a lingüista Sarah Gudschinsky), apregoava a virtual extinção da tribo Ofayé, os verdadeiros remanescentes da tribo sobreviviam a duras penas em terra alheia e hostil -- a reserva Kadiwéu na Serra da Bodoquena, MS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contactado pela equipe do &lt;em&gt;Fantástico&lt;/em&gt; antes que o programa fosse ao ar, Dutra (o maior conhecedor da história Ofayé, mais conhecido como Carlito) tentou corrigir o engano, mas em vão. Entre a verdade histórica e uma boa história mal contada, o jornalismo fantástico optaria pela segunda opção. Mais intrigante que a opção preferencial pelo sensacionalismo midiático ilustrada por este episódio é, para mim, o potencial impacto que a "descoberta" da última representante de uma etnia, falante ainda de sua língua, poderia ter tido entre lingüistas e antropólogos. Como explica Carlito, a língua falada por Maria Rosa não é o Ofayé. Seria mesmo o Otí? Se era língua desconhecida, quem teria fornecido as traduções? A própria Maria Rosa? Ou seria uma outra língua também falada na reserva, como o Kaingáng Paulista?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falante ou não de uma língua hoje extinta, D. Maria Rosa, uma janela para o passado indígena do oeste paulista, estava certamente aberta ao diálogo. Estariam os antropólogos e lingüistas de então dispostos a ouvi-la?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Leia mais:&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://biblio.etnolinguistica.org/system:page-tags/tag/otí"&gt;trabalhos sobre os Otí e sua língua&lt;/a&gt; na Biblioteca Digital Curt Nimuendaju; "&lt;a href="http://bit.ly/carlito"&gt;Os esquecidos indígenas Oti Xavante&lt;/a&gt;", artigo de Carlos Alberto dos Santos Dutra (2004)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Postscriptum&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;,&lt;/em&gt; 27/jan/2010. Em &lt;a href="http://lista.etnolinguistica.org/2348"&gt;mensagem enviada à lista Etnolingüística&lt;/a&gt;, o lingüista Wilmar D'Angelis confirma que a língua falada por D. Maria Rosa no documentário era, de fato, o Kaingáng.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5083967186888398674-221915849660123858?l=blog.wado.us' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog.wado.us/feeds/221915849660123858/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5083967186888398674&amp;postID=221915849660123858&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/221915849660123858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/221915849660123858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog.wado.us/2010/01/d-maria-rosa-ultima-dos-oti.html' title='D. Maria Rosa: a última dos Otí?'/><author><name>Eduardo Rivail Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08756377846146708276</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03668214808110603566'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5083967186888398674.post-7422835250782755718</id><published>2009-04-05T09:04:00.011-04:00</published><updated>2010-01-24T21:44:08.301-05:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Língua Geral Paulista'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Araguaia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dialeto caipira'/><title type='text'>Couto de Magalhães e a Língua Geral Paulista</title><content type='html'>Ao longo do Rio Araguaia, cada cidade tem pelo menos uma rua ou praça homenageando o general &lt;a href="http://biblio.etnolinguistica.org/autor:Couto_de_Magalhães"&gt;José Vieira Couto de Magalhães&lt;/a&gt; (1837-1898). É, do ponto de vista do colonizador, uma homenagem bem merecida. Afinal, poucos fizeram tanto para promover o Araguaia como via de navegação e como futuro do desenvolvimento nacional. Para Couto de Magalhães, o caráter central do Araguaia para o futuro do país não era apenas retórica política, mas algo digno de empenho pessoal, tanto que o general acabaria sendo o principal responsável pela introdução da malfadada navegação a vapor no rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito antes de &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_Ludovico_Teixeira"&gt;Pedro Ludovico&lt;/a&gt;, Couto de Magalhães já defendia a mudança da capital goiana -- não para o sul, mas para Leopoldina (hoje Aruanã), povoado na margem direita do Rio Araguaia, próximo à foz do Rio Vermelho. As razões (econômicas, ecológicas etc.) para a mudança são expostas em seu livro &lt;em&gt;&lt;a href="http://biblio.etnolinguistica.org/magalhaes_1863_viagem"&gt;Viagem ao Araguaya&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;, publicado originalmente em 1863 (com "&lt;a href="http://biblio.etnolinguistica.org/magalhaes-1902-viagem"&gt;edição definitiva&lt;/a&gt;" de 1902), quando o então governador da província de Goyaz não passava dos 26 anos. É um livro de grande valor histórico. Mas, para leitores cujo primeiro contato com este autor se deu através de &lt;a href="http://biblio.etnolinguistica.org/magalhaes-1876-selvagem"&gt;&lt;em&gt;O Selvagem&lt;/em&gt;&lt;/a&gt; (1876), obra clássica da etnolingüística brasileira, o livro do jovem Couto de Magalhães poderia ser decepcionante. Muitas das informações de interesse etnográfico, obtidas de índios desaldeados (reunidos em presídios) ou do folclore corrente na velha cidade de Goyaz, são questionáveis, quando não fantasiosas. Exceto pelo vocabulário Avá-Canoeiro (de importância ímpar, já que seria por muitas décadas a única fonte disponível sobre esta língua; nele se baseia, por exemplo, &lt;a href="http://biblio.etnolinguistica.org/rivet-1924-canoeiros"&gt;Paul Rivet&lt;/a&gt;), as listas vocabulares (Karajá, Xavánte etc.) incluídas no livro são de segunda ou terceira mão, extraídas dos &lt;a href="http://biblio.etnolinguistica.org/martius-1867-beitrage"&gt;&lt;em&gt;Glossaria&lt;/em&gt; de von Martius&lt;/a&gt; (1867).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Viagem ao Araguaya&lt;/em&gt; contém, no entanto, um trecho cujo valor lingüístico tem passado despercebido. Ao introduzir o vocabulário Avá-Canoeiro, Couto de Magalhães faz o seguinte comentário (p. 92):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Accrescentarei que, muitos dos nomes constantes do vocabulario, são hoje correntes entre os paulistas do povo, chamados caepiras naquella Provincia; citarei entre outros: &lt;em&gt;tiguera &lt;/em&gt;['palhada']&lt;em&gt;, avaxi&lt;/em&gt; ['milho']&lt;em&gt;, itanhaen&lt;/em&gt; ['tacho']&lt;em&gt;, ajuruhy&lt;/em&gt; ['papagaio']&lt;em&gt;, itá&lt;/em&gt; ['pedra'] etc.&lt;/blockquote&gt;O valor desta passagem reside no fato de que serve de testemunha a um período, sobre o qual muito pouco se sabe, de transição entre a Língua Geral Paulista e o português. Pelo visto, em meados do século XIX, a fala dos caipiras paulistas ainda continha muitas palavras da Língua Geral Paulista que viriam a ser substituídas depois por palavras do português. Por mais marginal que seja este tipo de informação, seu valor não pode ser subestimado, dada a escassez de documentação da Língua Geral Paulista e, principalmente, do processo que levaria a sua substituição (gradual, supostamente) pelo português.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5083967186888398674-7422835250782755718?l=blog.wado.us' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog.wado.us/feeds/7422835250782755718/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5083967186888398674&amp;postID=7422835250782755718&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/7422835250782755718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/7422835250782755718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog.wado.us/2009/04/couto-de-magalhaes-e-lingua-geral.html' title='Couto de Magalhães e a Língua Geral Paulista'/><author><name>Eduardo Rivail Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08756377846146708276</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03668214808110603566'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5083967186888398674.post-2775081665090428705</id><published>2009-10-29T14:08:00.006-04:00</published><updated>2009-10-30T08:56:16.605-04:00</updated><title type='text'>"My hero beats your hero"</title><content type='html'>O nome de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Sep%C3%A9_Tiaraju"&gt;Sepé Tiaraju&lt;/a&gt;, que morreu lutando contra espanhóis e portugueses nas &lt;em&gt;Guerras Guaraníticas&lt;/em&gt;, será inscrito no &lt;em&gt;Livro de Aço&lt;/em&gt; dos heróis nacionais. Na lista Etnolingüística, o anúncio deste fato deu início a uma interessante discussão sobre heróis e vilões da história. A &lt;a href="http://lista.etnolinguistica.org/2224"&gt;mensagem de Wilmar D'Angelis&lt;/a&gt; sumariza bem o problema com este tipo de "homenagem", baseada num conceito furado de "nacionalidade acima de todas as diferenças".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas apesar de começar com lucidez, a discussão continuou como se de fato houvesse um conceito supra-histórico ou supra-nacional de herói -- o que não há. Com raras exceções, o herói de um é o bandido de outro. Eu consigo achar poucos casos de seres humanos que contribuíram para o bem-estar da humanidade inteira, ultrapassando barreiras geográficas ou sociais. Um exemplo seriam cientistas como Sabin, Pasteur e Vital Brasil -- se bem que, como o caso da Revolta da Vacina nos ensina, até neste caso a regra do herói relativo se aplica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, portanto, infrutífero -- para não dizer arrogante -- atacar o herói alheio sem se colocar na posição do outro. Os que lutam para libertar seu povo da opressão são, talvez, os mais prontamente qualificáveis como "heróis". Neste caso, Plácido de Castro (criticado como "agente do imperialismo brasileiro" na discussão na lista) seria certamente um herói para os acreanos -- em sua maioria, nordestinos pobres lutando pela sobrevivência em terra que, de tão desprezada pela Bolívia, seria arrendada a norte-americanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, cada um tem seu herói, por razões um tanto pessoais. Eu, que era fã de Che Guevara na adolescência e devorei seus escritos -- rasos, ingênuos, bobinhos -- com avidez, hoje penso que sua intromissão na vida dos bolivianos (que levaria a sua morte) foi um resultado de seu egocentrismo e pretensão -- a mesma pretensão que se censura em missionários religiosos, que se consideram suficientemente esclarecidos para "libertar" a plebe ignara. Che é o Fidel que morreu jovem, antes que pudesse pôr seus sonhos à prova e antes que se tornasse apenas mais um ditador em uma lista já suficientemente longa. O trabalho de missionários entre os índios acabou revelando, para mim, aquilo que passei a detestar na esquerda salvacionista: a crença de que eles -- e apenas eles -- viram a luz e, portanto, estão qualificados a conduzir a humanidade rumo a sua salvação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heróis não precisam ser ressuscitados dos livros de história -- caso de Zumbi dos Palmares. Para mim, Pixinguinha, Machado de Assis e Lima Barreto fizeram muito mais para libertar negros e mulatos de uma das cadeias que ainda nos escravizam: o estereótipo de que negros são mais bem adaptados para o trabalho braçal -- e os esportes, claro --, mas menos capazes intelectualmente. Mas este é o &lt;em&gt;meu&lt;/em&gt; conceito de herói -- pessoal (mas transferível).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, meu herói pessoal e familiar -- Antônio Conselheiro -- dificilmente será inscrito no livro de aço (espero, sinceramente, que nunca, porque o próprio conceito de um "livro de aço" é de um fetichismo ridículo). A menos que tal inscrição viesse com uma admissão oficial da carnificina perpetrada pelas forças oficiais contra um bando de miseráveis, o que seria uma admissão do caráter um tanto questionável de outros heróis nacionais, que promoveram o massacre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5083967186888398674-2775081665090428705?l=blog.wado.us' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog.wado.us/feeds/2775081665090428705/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5083967186888398674&amp;postID=2775081665090428705&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/2775081665090428705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/2775081665090428705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog.wado.us/2009/10/my-hero-beats-your-hero.html' title='&quot;My hero beats your hero&quot;'/><author><name>Eduardo Rivail Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08756377846146708276</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03668214808110603566'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5083967186888398674.post-2441779391701972175</id><published>2009-10-16T11:49:00.011-04:00</published><updated>2009-10-23T11:45:25.929-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='kids'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dialects'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='English'/><title type='text'>Censorship, kindergarten style</title><content type='html'>One of my kids' favorite TV shows (and probably &lt;em&gt;my&lt;/em&gt; absolute favorite one) is &lt;em&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Kipper_the_Dog"&gt;Kipper the Dog&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;, by British author Mick Inkpen. It's educational in many ways, without being preachy. The characters illustrate well the value of friendship, display tenderness and understanding towards each other and their surroundings, are inquisitive, adventurous, and imaginative. The pace is perfect, far from the hyper, behaviorist jumpiness of &lt;em&gt;Dora&lt;/em&gt;, or the boring narrative of &lt;em&gt;Caillou. (&lt;/em&gt;Incidentally, even though Inkpen's characters are talking dogs, pigs, and mice, they have certainly more human character than Caillou's parents. While grown-ups in &lt;em&gt;Caillou&lt;/em&gt; sound like they are always on a high dose of sedatives, the characters in Kipper are allowed to lose their patience, getting frustrated every now and then.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;But, as a linguist raising a family in a foreign country (foreign to me, not them, of course), maybe what I like most in &lt;em&gt;Kipper&lt;/em&gt; is the opportunity it provides to expose kids to a different linguistic repertoire. Growing up in a rather multilingual environment, in a family that mixes, on a daily basis, Portuguese, English, Spanish, and Gujarati, my daughters have been always aware of linguistic differences. Rather than simply experiencing linguistic diversity, they actually &lt;em&gt;enjoy&lt;/em&gt; it. At two, Uma, my first daughter, already knew that &lt;em&gt;dudu&lt;/em&gt; (a Gujarati baby-talk form for 'milk') shouldn't be used with the "English" kids. At three, she already made up linguistic jokes ('How do you say "envelope" in Spanish?" -- "Enve Lopez"). Roma, who'll be three next month, repeats with delight the lines of the show, pronouncing words such as "basket" with a British accent.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;So, when Pig, a character in &lt;em&gt;Kipper&lt;/em&gt;, used the word "stupid" in one of the show's episodes ("The Lost Mug"), it wasn't hard to explain to them that it probably wasn't such a bad word &lt;em&gt;there&lt;/em&gt;, in England, although it would be better to avoid it &lt;em&gt;here&lt;/em&gt;, in the US -- a nice opportunity to teach a little lesson on dialectal diversity (and even a little geography). Other parents, however, apparently didn't think of it as a didactic opportunity or an exercise in tolerance. PBS Sprout now airs a slightly altered version of the episode, in which the "bad" word is simply erased. (Copies of the episode at &lt;a href="http://www.prattlibrary.org/"&gt;our local library&lt;/a&gt;, however, still preserve the old version, for those curious enough to compare.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS. I just found the raw, uncensored episode on YouTube. &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=NSlOX_Ra1hk"&gt;Check it out&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5083967186888398674-2441779391701972175?l=blog.wado.us' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog.wado.us/feeds/2441779391701972175/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5083967186888398674&amp;postID=2441779391701972175&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/2441779391701972175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/2441779391701972175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog.wado.us/2009/10/censorship-kindergarten-style.html' title='Censorship, kindergarten style'/><author><name>Eduardo Rivail Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08756377846146708276</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03668214808110603566'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5083967186888398674.post-1308858005947223312</id><published>2009-09-16T12:52:00.010-04:00</published><updated>2009-10-07T11:13:41.117-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='female speech'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='historical linguistics'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='borrowing'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='empréstimos'/><title type='text'>Pronoun borrowing in Portuguese</title><content type='html'>While some linguists seem to be especially talented at finding exotic features in little-known languages, I am more likely to find intellectual reward in uncovering unusual facts in familiar places. For instance, in my native Caipira dialect of Brazilian Portuguese, the plural marker &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;-s&lt;/span&gt; presents a peculiar distribution (when compared with other Romance languages), occurring with interjections and other words traditionally regarded as "invariable." Its distribution is, in all relevant syntactic aspects, that of a second-position clitic (as I analyzed it &lt;a href="http://www.wado.us/paper:cls37"&gt;back in 2001&lt;/a&gt;). A little-known fact, such evolution of a suffix into a second-position clitic may have interesting implications for grammaticalization studies.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The list of "exotic" features which can be found at home can be further extended. Although Indo-European languages are hardly mentioned in association with the topic "pronoun borrowing," Portuguese provides a rather illustrative example. In (Brazilian) Portuguese, French &lt;i&gt;moi&lt;/i&gt; is commonly used informally, mainly in a sort of tongue-in-cheek "style." Notice that such restriction in usage--to informal, humorous situations--is not uncommon in other instances of pronoun borrowing; in the oft-mentioned examples from Southeast Asian languages, borrowed pronouns may convey different degrees of formality.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Male vs. female speech in Portuguese&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I suspect this usage of &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;moi&lt;/span&gt; in Portuguese can be considered as typical of female speech, an impression that seems to be corroborated by a quick internet search (look up "pra cima de &lt;i&gt;moi&lt;/i&gt;", "para &lt;i&gt;moi&lt;/i&gt;", etc.). Notice that diminutive &lt;i&gt;moizinha&lt;/i&gt; 'little me (fem.)' is also common, unlike &lt;i&gt;moizinho&lt;/i&gt; "little me (masc.)'. Again, this "genderlectal" nature of the borrowing turns out to be rather reminiscent of well-known cases of pronoun borrowing. I'm aware of at least two clear South American cases in which male/female speech distinctions were a result of language contact. The classical example is Island Carib, but another example closer to home (and also involving pronouns) is Cocama, such as described by Ana Suelly Cabral in her PhD dissertation. In both cases, the role of language contact in the development of male/female speech distinctions is clear, since the forms used by males and females are from different genetic sources. The fact that females and males tend to respond differently to language change (including contact-induced change), besides being thoroughly demonstrated by Labov and others, is further illustrated here by the interesting use of French &lt;i&gt;moi&lt;/i&gt; in Portuguese. [By the way, if you're a speaker of Portuguese who uses this word, please fill out the form available &lt;a href="http://wado.us/word:moi"&gt;here&lt;/a&gt;.]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5083967186888398674-1308858005947223312?l=blog.wado.us' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog.wado.us/feeds/1308858005947223312/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5083967186888398674&amp;postID=1308858005947223312&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/1308858005947223312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/1308858005947223312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog.wado.us/2009/09/pronoun-borrowing-in-portuguese.html' title='Pronoun borrowing in Portuguese'/><author><name>Eduardo Rivail Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08756377846146708276</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03668214808110603566'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5083967186888398674.post-5330245672280999313</id><published>2009-07-01T14:42:00.002-04:00</published><updated>2009-08-01T17:59:34.802-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Proto-Jê'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='long-range relationships'/><title type='text'>Alguns "novos" possíveis cognatos entre Proto-Jê e Tupí</title><content type='html'>Uma das mais fecundas teorias sobre a classificação das línguas indígenas amazônicas, proposta por Aryon Rodrigues (&lt;a href="http://macro-je.etnolinguistica.org/item:80"&gt;1985&lt;/a&gt;), é a hipótese de relacionamento genético entre três dos maiores agrupamentos lingüísticos da América do Sul: a família Karib e os troncos Macro-Jê e Tupí. Em comparação com a hipótese alternativa, de Greenberg, que propunha uma relação entre Macro-Jê, Pano e Karíb, a hipótese de Rodrigues conta certamente com melhores evidências; como afirma Greg Urban (&lt;a href="http://macro-je.etnolinguistica.org/item:126"&gt;1992&lt;/a&gt;:94), "[O]s dados de que dispomos atualmente são sem dúvida muito mais sugestivos do que tudo o que já se tinha visto."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, as evidências de parentesco entre Tupí e Macro-Jê levantadas por Rodrigues são muito menos numerosas que aquelas encontradas para o relacionamento Karíb/Tupí. Caso o relacionamento entre os três venha a ser confirmado, é mais provável que os Tupí e Karíb tenham compartilhado um período de unidade, após o desligamento do Macro-Jê (como propõe Urban). Além da pouca quantidade, é provável que alguns dos possíveis candidatos a cognatos propostos por Rodrigues devam ser descartados. É o caso, particularmente, daqueles envolvendo uma suposta correspondência entre Kaingáng (Jê) /f/ e Tupí *p. Como o Kaingáng /f/ deriva da consoante *s do Proto-Jê, a possibilidade de que tais formas sejam cognatos verdadeiros se torna praticamente nula. Este é um dos riscos quando a comparação é feita entre línguas isoladas, sem se levar em consideração correspondências mais amplas (no nível de família).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As semelhanças detectadas tornam-se mais sólidas quando, em vez de línguas isoladas, podemos comparar proto-línguas. Irvine Davis, responsável pela primeira reconstrução do Proto-Jê (&lt;a href="http://macro-je.etnolinguistica.org/item:212"&gt;1966&lt;/a&gt;), já havia apontado alguns possíveis cognatos antes (Davis &lt;a href="http://macro-je.etnolinguistica.org/item:158"&gt;1968&lt;/a&gt;). Dentre eles, o mais notável é a palavra para 'marido', reconstruível para o Proto-Jê e o Proto-Tupí-Guaraní. Como se trata de termo cultural, a possibilidade de empréstimo não pode ser de todo descartada. O mesmo pode ser dito a respeito de um outro possível cognato: Proto-Jê *&lt;a href="http://lista.etnolinguistica.org/675"&gt;paʔi 'chefe'&lt;/a&gt;, Tupinambá &lt;em&gt;paí&lt;/em&gt; 'sacerdote (tb. 'maioral, líder').&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;À medida que nosso conhecimento comparativo das línguas Jê e Macro-Jê progride, outras semelhanças notáveis, regulares, e em áreas menos suscetíveis a empréstimo começam a surgir. É o caso das quatro formas seguintes (para representar a família Tupí-Guaraní, uso dados do Tupinambá; estas formas são, no entanto, certamente reconstruíveis para o Proto-Tupí-Guaraní, ocorrendo em diversos subgrupos dentro da família; as formas Proto-Jê foram reconstruídas por mim mesmo):&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tupí &lt;em&gt;r-en&lt;/em&gt; ~ &lt;em&gt;r-in&lt;/em&gt; :: Proto-Jê *&lt;em&gt;j-ĩ &lt;/em&gt;'sentar-se'&lt;br /&gt;Tupí &lt;em&gt;ʔam&lt;/em&gt; :: Proto-Jê *&lt;em&gt;j-am&lt;/em&gt; 'levantar-se'&lt;br /&gt;Tupí &lt;em&gt;r-ub&lt;/em&gt; :: Proto-Jê *&lt;em&gt;j-um&lt;/em&gt; 'pai'&lt;br /&gt;Tupí &lt;em&gt;r-er&lt;/em&gt; :: Proto-Jê *&lt;em&gt;j-inji&lt;/em&gt; 'nome'&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É importante ressaltar que &lt;strong&gt;&lt;em&gt;todas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; as formas acima têm cognatos em mais de uma família do tronco Macro-Jê, mesmo as mais diversas (por exemplo, a forma para 'nome' tem cognatos em Karajá, Ofayé, Boróro, Karirí e Chiquitano). Particularmente notável aqui é a aparente correspondência entre o prefixo de ligação &lt;em&gt;r-&lt;/em&gt; do Tupinambá e o prefixo de ligação *&lt;em&gt;j-&lt;/em&gt; do Proto-Jê. Quer se creia ou não na existência de "prefixos relacionais" (assunto de debate entre os estudiosos de Tupí e Macro-Jê -- e já propostos por Aryon Rodrigues como evidências de parentesco), as correspondências fonológicas já são por si sós bastante sugestivas. Aos quatro itens acima, talvez devam acrescentar-se os dois seguintes, em que as semelhanças superficiais são menos óbvias, mas as correspondências fonológicas parecem ser corroboradas pela circunstância de que um par homófono em Jê corresponde a um par quase homófono em Tupí-Guaraní:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tupí &lt;em&gt;r-ãi&lt;/em&gt; :: Proto-Jê *&lt;em&gt;j-ua&lt;/em&gt; 'dente'&lt;br /&gt;Tupí &lt;em&gt;r-ai&lt;/em&gt; :: Proto-Jê *&lt;em&gt;j-ua&lt;/em&gt; 'azedo'&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tais semelhanças, somadas àquelas sugeridas por outros autores (as que sobrevivam a uma análise mais detida), corroboram, a meu ver, a plausibilidade da hipótese de relacionamento genético entre Tupí e Macro-Jê -- mesmo que estejam longe de constituir-se em prova cabal.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5083967186888398674-5330245672280999313?l=blog.wado.us' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog.wado.us/feeds/5330245672280999313/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5083967186888398674&amp;postID=5330245672280999313&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/5330245672280999313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/5330245672280999313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog.wado.us/2009/06/alguns-novos-possiveis-cognatos-entre.html' title='Alguns &quot;novos&quot; possíveis cognatos entre Proto-Jê e Tupí'/><author><name>Eduardo Rivail Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08756377846146708276</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03668214808110603566'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5083967186888398674.post-3839489237142620090</id><published>2009-06-27T18:10:00.011-04:00</published><updated>2009-07-13T16:39:40.431-04:00</updated><title type='text'>Timbíra, Apinajé e Kaiapó: um contínuo dialetal?</title><content type='html'>Em artigo publicado recentemente nos anais do VI Encontro Macro-Jê, a antropóloga Vanessa Lea (&lt;a href="http://macro-je.etnolinguistica.org/item:61"&gt;2009&lt;/a&gt;) discute o rótulo "Timbira", questionando a tradicional inclusão dos chamados "Timbira Ocidentais" de Nimuendaju, os Apinajé (não obstantes as diferenças culturais e lingüísticas entre ambos, já apontadas pelo próprio Nimuendaju). Apesar de, em tese, esta ser uma questão resolvida entre lingüistas, a problematização é necessária. Claro, todos os lingüistas que trabalham atualmente com os Timbira e Apinajé parecem concordar que se trata de línguas diferentes. A referência comum é o seguinte trecho de Rodrigues (&lt;a href="http://macro-je.etnolinguistica.org/item:164"&gt;1986&lt;/a&gt;:48):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;"As línguas dos Suyá, Kreen-akarôre e provavelmente também dos Tapayúna (Beiço de Pau), no Alto Xingu, estão aparentadas mais estreitamente com o grupo Kayapó. O mesmo se dá com a língua dos Apinayé (Apinajé), em Goiás, apesar de seus falantes se considerarem descendentes dos Timbíra, hoje seus vizinhos mais próximos."&lt;/blockquote&gt;Mas, na prática -- como Lea demonstra bem --, a validade do velho conceito de "Timbira" acaba sendo ratificada, paradoxalmente, por alguns do mesmos lingüistas que reproduzem a citação acima como ponto pacífico. Um dos problemas é, naturalmente, a falta de estudos comparativos mais aprofundados, dificultando a determinação do grau de diferenciação entre línguas estreitamente aparentadas; o pior problema, no entanto, é o velho e lamentável hábito de se citar os cânones sem problematizá-los, mesmo quando um cânone está em óbvio conflito com o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lea parece crer que tal questão terminológica acaba tendo conseqüências práticas, servindo para distanciar os Apinajé de seus parentes culturais mais próximos, os Kaiapó. Pode-se questionar até que ponto isto é um argumento válido: não se estaria atribuindo demasiada importância prática a um conceito que raramente se usa além da academia? Mas isto, naturalmente, não compromete em nada o mérito do artigo de demonstrar a necessidade de se repensar criticamente alguns conceitos já costumeiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma tentação a evitar seria a possível substituição de uma velha dicotomia, Timbira (+Apinajé) vs. Kaiapó, por uma nova, Timbira vs. Kaiapó (+Apinajé). Porque, no fim das contas, pode ser que dicotomias não funcionem neste caso. Em lingüística, tal tendência à dicotomização associa-se, aparentemente, a uma visão particular de como teria se dado a separação entre grupos ao longo dos séculos e a conseqüente diversificação lingüística. Essa é a visão expressa por Greg Urban (1992:94):&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;"As populações Jê, assim como as antigas populações Tupi, tanto quanto se pode afirmar atualmente a partir da reconstrução, parecem ter-se aproximado mais do tipo clássico de comunidade isolada. Nessas sociedades, o contato lingüístico costuma se restringir ao grupo local, e quando os grupos se dividem, aparentemente não retomam mais tarde um contato de tipo constante que possa produzir empréstimos. Esse padrão, com redes de intercâmbio entre comunidades relativamente subdesenvolvidas, é provavelmente o padrão mais antigo no Brasil."&lt;/blockquote&gt;No caso dos Timbíra/Apinajé/Kaiapó, os dados (lingüísticos, pelo menos) podem sugerir exatamente o contrário. Embora sejam necessários estudos comparativos adicionais, os estudos até o momento parecem sugerir que os três formam (ou teriam formado, antes que a invasão européia acelerasse o processo migratório) um contínuo dialetal (o que implica, naturalmente, manutenção de contato), de tal maneira que os Apinajé, servindo de "ponte" entre os Kaiapó e os Timbíra, acabariam compartilhando traços com os dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;O fato de que o Apinajé parece ser mutuamente inteligível com o Timbira e o Kaiapó (enquanto inteligibilidade entre os dois extremos, Kaiapó e Timbira, seria em princípio menos óbvia) seria um bom indício de continuidade dialetal. Um caveat: as evidências de que disponho para isto são, por enquanto, de caráter anedótico (embora corroboradas por evidências, também geralmente anedóticas, na literatura). Lingüisticamente, talvez a melhor maneira de se provar tal "continuidade" é através da detecção de inovações compartilhadas. Limito-me, por enquanto, a dois exemplos -- os reflexos das consoantes Proto-Jê *s e *w (em início de sílaba):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;☞ Com o Timbira, o Apinajé compartilha o processo de fusão ("merging") entre Proto-Jê *p e *w em início de sílaba (por exemplo, *pĩ 'lenha' &gt; pĩ; *wẽ 'falar' &gt; -pẽ), enquanto o Kaiapó preserva reflexos separados (pĩ 'lenha', -bẽ 'falar').&lt;/p&gt;&lt;p&gt;☞ Com o Kaiapó, o Apinajé compartilha o fato de que a consoante Proto-Jê *s ocorre como "zero", enquanto em Timbira ocorre como /h/.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É possível que uma primeira fase no processo de enfraquecimento de *s (*s &gt; *h) tenha ocorrido no período de unidade (Proto Timbira-Apinajé-Kaiapó) entre os três grupos, enquanto a segunda fase ocorreria já depois da separação, gradual, entre eles. Os Panará e os Suyá, naturalmente, se separaram ainda mais cedo. É interessante que ambos preservem, como reflexo do Proto-Jê *s, a mesma consoante, /s/ (sendo, portanto, mais conservadores neste aspecto que o Timbira/Apinajé/Kaiapó). A sugestão de Rodrigues, citada acima ("As línguas dos Suyá, Kreen-akarôre e provavelmente também dos Tapayúna (Beiço de Pau), no Alto Xingu, estão aparentadas mais estreitamente com o grupo Kayapó.") não se sustenta à luz dos dados do Panará e Suyá que se tornaram disponíveis desde então [vide, a propósito, Dourado (&lt;a href="http://macro-je.etnolinguistica.org/item:150"&gt;2001&lt;/a&gt;), Santos (&lt;a href="http://macro-je.etnolinguistica.org/item:168"&gt;1997&lt;/a&gt;) e Seki (&lt;a href="http://macro-je.etnolinguistica.org/item:7"&gt;1989&lt;/a&gt;)].&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5083967186888398674-3839489237142620090?l=blog.wado.us' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog.wado.us/feeds/3839489237142620090/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5083967186888398674&amp;postID=3839489237142620090&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/3839489237142620090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/3839489237142620090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog.wado.us/2009/06/timbira-apinaje-e-kaiapo-um-continuo.html' title='Timbíra, Apinajé e Kaiapó: um contínuo dialetal?'/><author><name>Eduardo Rivail Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08756377846146708276</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03668214808110603566'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5083967186888398674.post-7276226311746184403</id><published>2009-05-05T13:09:00.006-04:00</published><updated>2009-05-05T22:42:20.981-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dicionário sentimental'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dialeto caipira'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Portugal'/><title type='text'>E o Mourão, de onde veio? E por onde anda?</title><content type='html'>Quando criança, a perda de um dente de leite era coisa séria -- tão séria que requeria um pequeno ritual, sem o qual a lacuna do dente perdido supostamente não se preencheria. O dente deveria ser atirado no telhado da casa, depois de se recitar o versinho abaixo três vezes:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Mourão, mourão,&lt;br /&gt;Tam' esse dente podre&lt;br /&gt;e me dá um são.&lt;/blockquote&gt;(&lt;span class="Apple-style-span" style="FONT-STYLE: italic"&gt;Tam'&lt;/span&gt; é, no meu dialeto caipira, alteração de &lt;span class="Apple-style-span" style="FONT-STYLE: italic"&gt;toma&lt;/span&gt;, a forma imperativa de &lt;span class="Apple-style-span" style="FONT-STYLE: italic"&gt;tomar&lt;/span&gt;.) Não sei se isto fazia parte das regras "oficiais" do ritual, mas, para mim, o telhado sempre devia ser o de casa. Uma vez, perdi o dente na escola e, pedindo licença à professora para usar o banheiro, guardei-o enroladinho em um pedaço de papel, para depois realizar o ritual em casa. Fiz o mesmo quando perdi um dente na casa de uma tia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ritual é, pelo visto, antigo, trazido d'além-mar. É o que fiquei sabendo através do excelente blog &lt;span class="Apple-style-span" style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;a href="http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2005/03/dente-mouro-dente-mouro.html"&gt;O rabo do gato&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;, da madeirense Lília Mata, onde se aprende muito sobre o folclore da Madeira e se descobre que o oceano muito mais nos une que separa. Mas o mistério, para mim, continua: quem era o tal Mourão? De onde teria vindo? E teria, no mundo moderno, perdido o emprego para a &lt;span class="Apple-style-span" style="FONT-STYLE: italic"&gt;tooth fairy&lt;/span&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propósito, o versinho madeirense, reproduzido d'&lt;span class="Apple-style-span" style="FONT-STYLE: italic"&gt;O rabo do gato&lt;/span&gt;, é ligeiramente diferente do meu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Dente mouro, dente mourão,&lt;br /&gt;Toma lá este podre&lt;br /&gt;e dá-me outro são. &lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5083967186888398674-7276226311746184403?l=blog.wado.us' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog.wado.us/feeds/7276226311746184403/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5083967186888398674&amp;postID=7276226311746184403&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/7276226311746184403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/7276226311746184403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog.wado.us/2009/05/e-o-mourao-de-onde-veio-e-por-onde-anda.html' title='E o Mourão, de onde veio? E por onde anda?'/><author><name>Eduardo Rivail Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08756377846146708276</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03668214808110603566'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5083967186888398674.post-2680529590073587036</id><published>2009-04-19T16:07:00.006-04:00</published><updated>2009-04-19T22:43:44.561-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='morfologia blending religião imprensa'/><title type='text'>Talibão e talibinhos</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;O processo morfológico que se chama em inglês &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;blending&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; ("mistura"?), em que uma nova palavra é formada com partes de duas ou mais palavras, não é muito usado em português -- apesar de, na mão de um talento como Guimarães Rosa, produzir belezas como &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;ensimesmudo&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; e &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;fraternura. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Em nossa língua, tais palavras, apesar de belas e transparentes, acabam limitando-se à linguagem literária, não ganhando circulação na linguagem quotiana.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Em inglês, por outro lado, palavras formadas por blending abundam, fazendo parte do léxico do dia-a-dia: &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;spork&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; (&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;spoon&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; + &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;fork&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;), &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;brunch&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; (&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;breakfast&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; + &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;lunch&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;), &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;ginormous&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; (&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;gigantic&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; + &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;enormous&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;) estão entre as que se ouvem o tempo todo [não sei se &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;fantabulous&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; (&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;fantastic&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; + &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;fabulous&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;) pega bem...]. Provas da produtividade do processo são criações recentes como &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;staycation&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; (&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;stay&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; + &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;vacation&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;, para designar férias em que o indivíduo não viaja, conseqüência da economia em crise) -- recentes, isto é, pelo menos para mim, que sou &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;fresh-off-the-boat&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;. Dada a receptividade da língua inglesa a tais construções, é natural que se faça amplo uso do processo de &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;blending&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; na publicidade. Por exemplo, por ocasião da última eleição presidencial nos EUA, viam-se adesivos de pára-choque com o seguinte apelo ao eleitor latino: &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="FONT-STYLE: normal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;¡&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Obámanos&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="FONT-STYLE: normal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;! &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Obama&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; + &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;¡v&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;ámonos&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Uma das minhas favoritas, no entanto, é &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;em&gt;talibangelism &lt;/em&gt;(talvez inspirada por uma outra palavra formada por blending, &lt;em&gt;televangelism)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;, que diz respeito (como se pode imaginar) à pregação evangélica conservadora, com um fundamentalismo semelhante ao do Talibã afegão&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;.  A palavra, útil para descrever os métodos que caracterizam a atuação de pentecostalistas pelo mundo afora, seria certamente útil no Brasil, em que cristãos fundamentalistas, donos de redes de TV e rádio, bombardeiam o público com sua versão oportunista de cristianismo. Como, depois de uma busca no Google, não encontro na internet sua possível versão para o inglês ou o espanhol, aqui vai minha sugestão: &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;talibangelismo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;. (Não que eu ache que o que é bom pros EUA seja necessariamente bom pro Brasil; mas, neste caso, como ambos (pentecostalismo fundamentalista e &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;talibangelism&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;) são criações norte-americanas, acabam se merecendo, não?)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5083967186888398674-2680529590073587036?l=blog.wado.us' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog.wado.us/feeds/2680529590073587036/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5083967186888398674&amp;postID=2680529590073587036&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/2680529590073587036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/2680529590073587036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog.wado.us/2009/04/talibao-e-talibinhos.html' title='Talibão e talibinhos'/><author><name>Eduardo Rivail Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08756377846146708276</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03668214808110603566'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5083967186888398674.post-4573793925484102757</id><published>2009-03-04T09:12:00.013-05:00</published><updated>2009-03-09T17:45:49.542-04:00</updated><title type='text'>Piso molido</title><content type='html'>Através do &lt;a href="http://br.groups.yahoo.com/group/tupi/"&gt;grupo Tupi&lt;/a&gt; (aliás, uma ótima comunidade para aqueles interessados em aprender a "língua mais usada da costa do Brasil")  fiquei sabendo que o cantor baiano Luiz Caldas resolveu gravar um disco de canções em Tupí -- em suas próprias palavras, "numa homenagem à língua dos nossos ancestrais". Um exemplo é a canção "Apiçá quité iandé morubixaba", cuja letra está disponível no &lt;a href="http://www.myspace.com/luizcaldas"&gt;site de Luiz Caldas no MySpace&lt;/a&gt;:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;"Acé angaturama morubixaba caapegoara eçaetá, eçacuí, marangatuguariní mboîa çui caraíba picirongába pé tetiruan çui caátiba iandétaba iandé cemimotara irumo iandé catumbaé iandé uicobé."&lt;/blockquote&gt;A temática seria a baboseira comum em canções supostamente "engajadas", criadas por gente cujo conhecimento sobre índios parece limitar-se a gibis do Ziraldo e do Maurício de Souza. A letra acima supostamente traduz-se assim:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p&gt;"Atenção para nosso chefe nosso bondoso chefe morador do mato, atento, preparado, bom guerreiro cobra do homem branco proteção para todos da floresta nossa aldeia nossa liberdade é nossa riqueza nosso viver."&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;Digo &lt;em&gt;supostamente&lt;/em&gt; porque, como &lt;a href="http://br.groups.yahoo.com/group/tupi/message/4164"&gt;explica&lt;/a&gt; Emerson José Silveira da Costa, conhecedor do Tupí Antigo como poucos, a versão "Tupí" não tem pé nem cabeça: &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;"[...] a música supostamente "em tupi" não passa de uma sequência de traduções palavra-a-palavra da letra em português, resultando num palavrório que em tupi não tem sentido algum. O que mais me doeu foi ver o animal "cobra" ("mboîa") ser usado em lugar de"cobra" do verbo "cobrar" [...]"&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;Essa é mesmo de doer. Me faz lembrar algo que vi numa placa de elevador num dos melhores hospitais de Silver Spring (cidade com grande concentração de hispânicos, nos arredores de Washington, DC), em que &lt;em&gt;ground floor&lt;/em&gt; 'piso térreo' foi traduzido para o espanhol como &lt;em&gt;piso molido&lt;/em&gt;...&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5083967186888398674-4573793925484102757?l=blog.wado.us' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog.wado.us/feeds/4573793925484102757/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5083967186888398674&amp;postID=4573793925484102757&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/4573793925484102757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/4573793925484102757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog.wado.us/2009/03/piso-molido.html' title='Piso molido'/><author><name>Eduardo Rivail Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08756377846146708276</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03668214808110603566'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5083967186888398674.post-61430316568299369</id><published>2009-03-03T09:59:00.027-05:00</published><updated>2009-03-05T14:18:07.854-05:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='português'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dialeto caipira'/><title type='text'>Cunha Mattos e o falar goiano</title><content type='html'>Em quanto tempo se faz um dialeto? Ou, mais precisamente, quanto tempo leva para que diferenças dialetais entre duas comunidades lingüísticas que compartilham a mesma origem se tornem perceptíveis? A resposta, naturalmente, é que "depende". Cada caso é um caso, dependendo, entre outros fatores, do grau de isolamento entre as duas comunidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é um assunto que tem me dado o que pensar, particularmente no caso do português (ou dos portugueses?) falado nos sertões do Brasil. Qual seria, por exemplo, o primeiro registro do uso do /r/ retroflexo tão característico do dialeto caipira? Como se trata de característica radicalmente destoante do português do litoral brasileiro ou da velha metrópole, seria de se imaginar que teria sido notado logo de início. Fico imaginando um cronista luso (ou litorâneo), pouco simpático aos paulistas, criticando sua maneira "bárbara" de falar o português... Dada a raridade de informações lingüísticas deste tipo nas principais fontes do Brasil colonial e imperial, comentários pessoais, ainda que puramente impressionísticos, podem vir a ser extremamente úteis para os estudos dialetológicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso do português falado nos primeiros núcleos coloniais de Goiás, há pelo menos um registro interessante, produzido um século depois da fundação de Vila Boa (1726) -- não de diferenças específicas, mas de características "melódicas" que já então distinguiam o falar goiano do falar dos paulistas. Devemo-lo ao general Raymundo José da Cunha Mattos (1776-1839), em sua &lt;em&gt;Chorographia Historica da Provincia de Goyaz&lt;/em&gt;, concluída em 1824 e publicada na RIHGB em 1874:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;"A pronunciação da gente de Goyaz é mui doce: não obstante serem descendentes de paulistas, não têm aquella aspereza guttural que se nota nos naturaes de S. Paulo, nem a affectação feminil de muita gente de provincias mais illuminadas." (p. 311) &lt;/blockquote&gt;Esta é a primeira menção à existência de características próprias ao falar dos "goyanos" de que tenho notícia. Haverá outras mais antigas, não só sobre Goiás, mas também sobre o Paraná, o Mato Grosso e outras áreas de fundação bandeirante? E quanto aos falares de outras regiões do Brasil?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sobre a Chorographia e seu autor&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="FLOAT: right"&gt;&lt;a title="Carta corografica da provincia de Goyaz e dos Julgados de Araxá e desemboque da provincia de Minas Geraes by kawina, on Flickr" href="http://www.flickr.com/photos/kawina/3325703775/"&gt;&lt;img style="WIDTH: 272px; HEIGHT: 493px" height="481" alt="Carta corografica da provincia de Goyaz e dos Julgados de Araxá e desemboque da provincia de Minas Geraes" src="http://farm4.static.flickr.com/3576/3325703775_3ff4b855c9.jpg" width="228" size="small" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;A &lt;em&gt;Chorographia Historica da Provincia de Goyaz&lt;/em&gt; foi escrita quando seu autor ocupava o cargo de governador das armas da província (1823-1826), sendo fonte obrigatória para o conhecimento da história e dos costumes dos habitantes de Goiás em seu primeiro século de colonização (ao lado das &lt;em&gt;Memorias Goyanas&lt;/em&gt; do Pe. Luiz Antonio da Silva e Sousa). Nascido em Faro, Portugal, Cunha Mattos foi militar de destaque, tanto servindo a Portugal (na África e no Brasil), antes da Independência, quanto ao Império do Brasil. Desempenhou também papel relevante na vida intelectual do Império, tendo sido um dos fundadores do IHGB.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como "forasteiro" em Goiás, Cunha Mattos tem um ponto de vista privilegiado ao escrever a &lt;em&gt;Chorographia&lt;/em&gt;, notando fatos que escapariam a autores locais. Um exemplo é o breve comentário lingüístico transcrito acima. A atitude crítica que assume, não poupando críticas a muitas características dos habitantes da província tidas como censuráveis ("a sêde do ouro foi causa da descoberta de Goyaz, e a esperança do ouro tem sido a causa de sua ruina"), acaba conferindo legitimidade à descrição que faz de aspectos positivos (como, por exemplo, a beleza e modéstia das mulheres, a hospitalidade e a falta da pedante pretensão a nobreza, "ordinária em outros lugares", além da 'doçura' do falar goiano).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cunha Mattos também escreveu vários roteiros dos lugares por onde viajou no Brasil, reunindo informações para a elaboração de vários mapas. Um deles (vide acima; clique para ampliar), que serve de complemento à &lt;em&gt;Chorographia&lt;/em&gt;, está disponível online, no site da Biblioteca Nacional Digital (de Portugal). Para aqueles de nós interessados na história das populações indígenas, o mapa é particularmente valioso pela detalhada localização que dá dos aldeamentos indígenas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5083967186888398674-61430316568299369?l=blog.wado.us' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog.wado.us/feeds/61430316568299369/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5083967186888398674&amp;postID=61430316568299369&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/61430316568299369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/61430316568299369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog.wado.us/2009/03/cunha-mattos-e-o-falar-goiano.html' title='Cunha Mattos e o falar goiano'/><author><name>Eduardo Rivail Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08756377846146708276</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03668214808110603566'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5083967186888398674.post-6357735289011467372</id><published>2009-02-01T18:30:00.007-05:00</published><updated>2009-02-01T19:18:33.921-05:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Boróro Macro-Jê pensar/ouvir'/><title type='text'>Ouvir e pensar em Boróro</title><content type='html'>Há algum tempo, &lt;a href="http://lista.etnolinguistica.org/1339"&gt;mencionei&lt;/a&gt; a relação entre o ouvir e o pensar em línguas Macro-Jê, e seus possíveis correlatos culturais:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;[...] em línguas do tronco Macro-Jê o ouvido (e não a cabeça, como em português) parece ser o "locus  metafórico" para conhecimento/consciência.  Assim, nas famílias Jê e Jabuti, a raiz para "ouvir" (que tem cognatos em ambas as famílias e é, portanto, provavelmente reconstruível para o Proto-Macro-Jê) também tem os significados de "experimentar", "entender", "saber" (Ribeiro &amp;amp; van der Voort 2005).  E, em Karajá, "pensar" e "ouvir" são ambos expressos pelo mesmo verbo (derivado do nome "ouvido"). Ser burro é "não ter orelhas/ouvido"; perder a consciência é "entupir o ouvido/orelha"; esquecer-se é "perecer o ouvido"; lembrar-se é "acordar o ouvido"; e assim por diante (traduções aproximadas). [...]&lt;/blockquote&gt;Relendo, agora, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Esbôço gramatical e vocabulário da língua dos índios Borôro&lt;/span&gt; (Rondon &amp;amp; Faria 1948), encontro dados que demonstram a existência de fatos semelhantes também nesta família Macro-Jê: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;biá&lt;/span&gt; 'orelha, ouvido';&lt;span style="font-style: italic;"&gt; bia-butuN&lt;/span&gt; &lt;span&gt;'lembrar'&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bia-gôdo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt; 'esquecer'&lt;/span&gt;&lt;span&gt;; etc.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;br /&gt;Ainda continuo interessado em quaisquer possíveis respostas a minhas duas questões iniciais:&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div&gt;(1) até que ponto estes "esquemas metafóricos" são estáveis diacronicamente (servindo, assim, de evidência para relacionamento genético)?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;div&gt;(2) até que ponto podem ser emprestados (servindo, assim, como evidência de contato lingüístico, áreas lingüísticas, etc.)?&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5083967186888398674-6357735289011467372?l=blog.wado.us' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog.wado.us/feeds/6357735289011467372/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5083967186888398674&amp;postID=6357735289011467372&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/6357735289011467372'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/6357735289011467372'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog.wado.us/2009/02/ouvir-e-pensar-em-bororo.html' title='Ouvir e pensar em Boróro'/><author><name>Eduardo Rivail Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08756377846146708276</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03668214808110603566'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5083967186888398674.post-7168721027348927349</id><published>2009-02-01T09:55:00.003-05:00</published><updated>2009-02-01T10:58:29.852-05:00</updated><title type='text'>Curt e sua senhora</title><content type='html'>Em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Cartas do Sertão&lt;/span&gt;, que reúne parte de sua correspondência com Carlos Estêvão de Oliveira,  Nimuendaju vez ou outra menciona aquela que é, talvez, a personagem menos conhecida de sua biografia: "Minha mulher vai bem e lhe manda lembranças."  Para alguns, esta informação pode ser surpreendente. Seus obituários, concentrados em sua produção científica e militância indigenista, não mencionam uma viúva; quem estuda a &lt;a href="http://biblio.etnolinguistica.org/autor:Curt_Nimuendaju"&gt;obra&lt;/a&gt; de Curt Nimuendaju acaba ficando com a impressão de que ele morreu solteirão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contribuindo para uma visão mais pessoal de Nimuendaju, o jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto, em artigo publicado recentemente em seu excelente &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Jornal Pessoal&lt;/span&gt;, nos oferece alguns detalhes de primeira mão sobre Jovelina, a mulher do grande etnógrafo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Jovelina morreu anônima num dos pavilhões da Santa Casa de Misericórdia de Belém no dia 2 de novembro de 1972. Deixou de ser anônima apenas em função do sobrenome: Nimuendaju. Incorporou-o ao casar com Curt Unkel, que, por sua vez, se notabilizou ao anexar ao seu nome alemão o Nimuendaju (”aquele que criou seu próprio caminho”) dos índios apopokawa-guarani [Pinto quis dizer "Apapokuva-Guarani"], do interior de São Paulo. Esse foi o primeiro dos 30 grupos indígenas aos quais dedicou quase 40 anos de sua vida, desde que chegou ao país adotivo, em 1903, com apenas 20 anos. Mesmo sem ter formação acadêmica em antropologia, Nimuendaju realizou estudos com alto rigor científico, com ênfase sobre as populações de língua jê.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;O artigo pode ser lido integralmente no &lt;a href="http://www.lucioflaviopinto.com.br/"&gt;website&lt;/a&gt; do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Jornal Pessoal&lt;/span&gt; (requer-se cadastramento).  Aliás, para aqueles que, como eu, admiram a inteligência e independência do jornalismo de Lúcio Flávio Pinto, o fato de que seus escritos estão agora disponíveis online é uma excelente notícia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5083967186888398674-7168721027348927349?l=blog.wado.us' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog.wado.us/feeds/7168721027348927349/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5083967186888398674&amp;postID=7168721027348927349&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/7168721027348927349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/7168721027348927349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog.wado.us/2009/02/curt-e-sua-senhora.html' title='Curt e sua senhora'/><author><name>Eduardo Rivail Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08756377846146708276</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03668214808110603566'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5083967186888398674.post-3874220908863551144</id><published>2009-01-26T01:27:00.009-05:00</published><updated>2009-01-26T10:19:39.052-05:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='identidade lingüística'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='internet'/><title type='text'>Por um canto galego na rede</title><content type='html'>Primeiro foi a vez dos catalães, que conseguiram junto à ICANN (Internet Corporation for Assigned Names and Numbers) a criação de um domínio próprio para sua língua e cultura na internet: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;.cat&lt;/span&gt;.  Agora lutam pelo mesmo direito a Galícia (.gal) e outros territórios celtas tradicionais -- a Escócia (.sco), o País de Gales (.cym) e a Bretanha (.bzh) -- que buscam conseguir, assim, sua "ciber-independência".  A iniciativa foi lançada conjuntamente pelos quatro países em 2006 e &lt;a href="http://celticcountries.com/webmagazine/society/scotland-wales-galicia-brittany-internet-domain-name-campaign/"&gt;vem ganhando força política&lt;/a&gt;.  Aqueles interessados em colaborar com mais esta luta dos galegos (e de seus companheiros celtas) pelo fortalecimento de sua identidade cultural e lingüística podem apoiar seus abaixo-assinados (para o dos galegos, clique &lt;a href="http://www.puntogal.org/web/index.php?option=com_easybook&amp;Itemid=52&amp;func=sign"&gt;aqui&lt;/a&gt;) ou contribuir para a &lt;a href="http://www.puntogal.org/web/index.php?option=com_facileforms&amp;Itemid=47&amp;lang=gl"&gt;divulgação da causa&lt;/a&gt; (por exemplo, acrescentando a seus blogs ou websites faixas ou selos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caso catalão é importantíssimo pelo precedente que abre, não só incentivando outros povos politicamente dependentes  a fazerem o mesmo (seria demais sonhar com um .tib livre? e um .cur unificado, se não de facto, pelo menos na rede? ou, mais perto de casa, que tal domínios, como .que ou .gua, para comunidades lingüísticas cujos membros se distribuem por mais de um país?), mas pela ruptura que representa para com a dependência ao inglês (que, por razões históricas óbvias, acaba ditando como se deve ou não batizar um website). Contrastando com a timidez lingüística dos nossos grandes domínios da língua portuguesa (em que se prefere, ao que parece, eliminar diacríticos para "modernizar" a escrita), aqueles que se qualificam para um endereço .cat podem, inclusive, usar caracteres próprios do catalão ao criarem seu domínio, como se explica na &lt;span style="font-style:italic;"&gt;presentació&lt;/span&gt; da página da entidade encarregada da &lt;a href="http://www.domini.cat/"&gt;administração&lt;/a&gt; do domínio .cat: &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;"Des del primer dia, el .CAT permet el registre de noms amb les lletres especials pròpies del català: accents, ce trencada i ela geminada (à, è, é, í, ï, ò, ó, ú, ü, ç, l·l). Podeu demanar per exemple dominis com fundació.cat o paral·lel.cat."&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5083967186888398674-3874220908863551144?l=blog.wado.us' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog.wado.us/feeds/3874220908863551144/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5083967186888398674&amp;postID=3874220908863551144&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/3874220908863551144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/3874220908863551144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog.wado.us/2009/01/por-um-canto-galego-na-rede.html' title='Por um canto galego na rede'/><author><name>Eduardo Rivail Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08756377846146708276</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03668214808110603566'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5083967186888398674.post-664064413417153422</id><published>2008-06-14T16:07:00.007-04:00</published><updated>2008-10-15T11:30:56.570-04:00</updated><title type='text'>['mbaba]</title><content type='html'>&lt;embed name="odeo_player_gray" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" align="middle" src="http://odeo.com/flash/audio_player_gray.swf" width="322" height="54" type="application/x-shockwave-flash" quality="high" allowscriptaccess="always" wmode="transparent" flashvars="type=audio&amp;amp;id=19370073"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="PADDING-LEFT: 110px; FONT-SIZE: 9px; COLOR: #f39; LETTER-SPACING: -1px; TEXT-DECORATION: none" href="http://odeo.com/audio/19370073/view"&gt;powered by &lt;strong&gt;ODEO&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;My baby Zahāra, a young Obama supporter, approves this message.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_v_WBYByyEss/SFQljRREzHI/AAAAAAAAALU/Lb1-Ztc4h8k/s1600-h/cbs.bmp"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_v_WBYByyEss/SFQl5CId64I/AAAAAAAAALc/cgzSBthecCw/s1600-h/cbs.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5211832330529663874" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_v_WBYByyEss/SFQl5CId64I/AAAAAAAAALc/cgzSBthecCw/s400/cbs.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[&lt;a href="http://www.cbsnews.com/stories/2008/02/05/politics/main3795497.shtml"&gt;CBS News&lt;/a&gt;, Feb. 5, 2008]&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5083967186888398674-664064413417153422?l=blog.wado.us' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog.wado.us/feeds/664064413417153422/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5083967186888398674&amp;postID=664064413417153422&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/664064413417153422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/664064413417153422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog.wado.us/2008/06/mbaba.html' title='[&apos;mbaba]'/><author><name>Eduardo Rivail Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08756377846146708276</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03668214808110603566'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_v_WBYByyEss/SFQl5CId64I/AAAAAAAAALc/cgzSBthecCw/s72-c/cbs.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5083967186888398674.post-6664852129911568603</id><published>2008-06-20T10:30:00.005-04:00</published><updated>2008-06-25T18:16:29.327-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Purí'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Karajá'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Língua Geral Paulista'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Macro-Jê'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nheengatú'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Krenák'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Maxakalí'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='empréstimos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Kamakã'/><title type='text'>Língua Geral: Mais um empréstimo em Karajá</title><content type='html'>Para o estudo das línguas Macro-Jê outrora faladas no leste brasileiro, vocabulários antigos, coletados principalmente no século XIX e no começo do século XX, são essenciais. São, em muitos casos, as únicas fontes disponíveis. Este é caso de todas as línguas das famílias Purí e Kamakã , e de grande parte das línguas das famílias Krenák e Maxakalí. Apesar de seu caráter limitado (tanto em termos quantitativos, quanto qualitativos), tais vocabulários podem fornecer pistas importantes para a compreensão do tronco (vide, a respeito, as recentes &lt;a href="http://lista.etnolinguistica.org/1509"&gt;dissertações&lt;/a&gt; de Andérbio Martins e Ambrósio da Silva Neto, sobre as famílias Kamakã e Purí, respectivamente). Mesmo quando se imagina que já se extraiu tudo o que haveria de aproveitável nestes vocabulários, eles podem reservar alguma surpresa ao pesquisador atento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://biblio.etnolinguistica.org/socrates_1892_vocabularios" alt="Clique aqui para baixar os vocabulários de Edaurdo Sócrates (1892)."&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5213932422372583794" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_v_WBYByyEss/SFub6d5o6XI/AAAAAAAAALk/6qHalA7AAjA/s400/dinheiro.bmp" border="0"/&gt;&lt;/a&gt;Mesmo no caso de línguas que sobrevivem em pleno vigor e que podem hoje ser estudadas mais a fundo, vocabulários antigos permitem uma rara oportunidade de se descobrirem fatos acerca do passado lingüístico recente. Um exemplo que mencionei antes é o empréstimo &lt;em&gt;maritó&lt;/em&gt; 'paletó' em Karajá, que, apesar de não ser mais usado hoje em dia, foi documentado por duas fontes da década de 1940. Um outro exemplo que acabo de descobrir é ainda mais interessante. Trata-se de um empréstimo da Língua Geral para 'dinheiro' -- mais um acréscimo à pequena lista de palavras da Língua Geral (Paulista, provavelmente) em Karajá, que descrevi em &lt;a href="http://www.box.net/shared/hdhz6tio8c"&gt;artigo&lt;/a&gt; publicado há alguns anos. [Embora contatos com falantes de Língua Geral Amazônica tenham provavelmente ocorrido ao norte do território Karajá (com falantes de Karajá do Norte e Xambioá), é provável que a grande maioria dos empréstimos tenham vindo da Língua Geral Paulista falada pelos bandeirantes, que foram os primeiros a estabelecer contato com os Karajá da Ilha do Bananal, núcleo populacional deste povo.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No vocabulário de Eduardo Sócrates (publicado em 1892, representando o dialeto Karajá do Sul; disponível &lt;a href="http://biblio.etnolinguistica.org/socrates_1892_vocabularios"&gt;aqui&lt;/a&gt;), mais ou menos escondido em uma transcrição à portuguesa e desfigurado por erro tipográfico, lá estava o empréstimo: &lt;em&gt;Intadiná&lt;/em&gt; 'dinheiro'. Embora a relação com a palavra para 'dinheiro' usada em Tupinambá (&lt;em&gt;itajuba&lt;/em&gt;, de acordo com o &lt;em&gt;Pequeno Vocabulário Português-Tupi&lt;/em&gt; do Pe. Lemos Barbosa) e na Língua Geral seja em princípio menos óbvia, um estudo das outras palavras no vocabulário explica as aparentes anomalias:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) A transcrição de Sócrates era, provavelmente, &lt;em&gt;Intadiuá&lt;/em&gt;, onde a letra &lt;em&gt;u&lt;/em&gt; -- substituída por &lt;em&gt;n&lt;/em&gt; pelo tipógrafo -- representa o glide /w/ do Karajá. Isto fica claro quando se percebe que o mesmo erro tipográfico ocorre em outras palavras do vocabulário: &lt;em&gt;quèná &lt;/em&gt;'jatobá', por [kɨ'wa]; &lt;em&gt;uaxinaté&lt;/em&gt; 'arco', por [waʃiwaha'ɗɛ]; &lt;em&gt;cucêêné&lt;/em&gt; 'ema', por [kuƟehe'we].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(2) Refletindo sua pronúncia na maioria dos dialetos do português brasileiro, a seqüência &lt;em&gt;di&lt;/em&gt; é usada por Sócrates para representar a africada [dʒ] do Karajá, como atestado em vários exemplos: &lt;em&gt;diatá&lt;/em&gt; 'banana' [idʒa'ɗa], &lt;em&gt;diú-hú &lt;/em&gt;'dente' [dʒu'u], &lt;em&gt;adiu&lt;/em&gt; 'paca' [hã'dʒu].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, a palavra representada como &lt;em&gt;Intadiná&lt;/em&gt; no vocabulário era provavelmente pronunciada como [ĩɗadʒu'wa] ~ [ĩɗadʒu'a], correspondendo perfeitamente ao provável original em Língua Geral (para correspondências semelhantes, vide os empréstimos para 'cavalo' e 'sal' no meu artigo mencionado acima). Caso tenha sido introduzido no tempo dos primeiros contatos entre os Karajá e falantes da Língua Geral Paulista, [ĩɗadʒu'wa] teria sobrevivido por cerca de dois séculos, antes de ser substituído pela atual palavra para 'dinheiro', um empréstimo do português: [nie'ru].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora o "Tupí da Costa" e um de seus descendentes, a Língua Geral Amazônica, sejam bem documentados, o conhecimento de seu outro descendente, a Língua Geral Paulista, é bastante limitado (cf. Aryon Rodrigues, "&lt;a href="http://www.unb.br/il/liv/papers/aryon.htm"&gt;As línguas gerais sul-americanas&lt;/a&gt;"). Uma fonte indireta de conhecimento da Língua Geral Paulista acaba sendo, justamente, os empréstimos em línguas de povos com os quais os bandeirantes tiveram contato. Um dos casos mais fascinantes é o do Boróro (cf. Adriana Viana, "&lt;a href="http://www.etnolinguistica.org/local--files/gelco/viana.pdf"&gt;Sobre a língua Bororo&lt;/a&gt;"), indígenas de Mato Grosso que se aliaram aos bandeirantes no combate a outras tribos indígenas (inclusive os Karajá).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5083967186888398674-6664852129911568603?l=blog.wado.us' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog.wado.us/feeds/6664852129911568603/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5083967186888398674&amp;postID=6664852129911568603&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/6664852129911568603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/6664852129911568603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog.wado.us/2008/06/mais-um-emprstimo-da-lngua-geral-em.html' title='Língua Geral: Mais um empréstimo em Karajá'/><author><name>Eduardo Rivail Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08756377846146708276</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03668214808110603566'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_v_WBYByyEss/SFub6d5o6XI/AAAAAAAAALk/6qHalA7AAjA/s72-c/dinheiro.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5083967186888398674.post-6622252955799598751</id><published>2007-10-08T21:06:00.002-04:00</published><updated>2008-06-20T12:42:23.143-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wordpress'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='verbicídio?'/><title type='text'>Oxalá: an endangered word?</title><content type='html'>Desde que comecei a aprender sobre a origem das palavras (no antigo "ginásio", se me lembro bem), uma palavrinha que vem sempre me intrigando é &lt;em&gt;oxalá&lt;/em&gt;, no sentido de 'tomara que'. O significado original em árabe, dizia-me a professora, era algo como "queira Alá". Para que não me falhe a memória, vou citar o dicionário -- e, como não tenho aqui comigo o Aurélio (ou qualquer outro dicionário decente de português), contento-me com o verbete do dicionário da Real Academia Española para o equivalente em espanhol:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;strong&gt;¡ojalá!&lt;/strong&gt; (Del ár. &lt;em&gt;wa-ša 'Allah&lt;/em&gt;, y quiera Dios.) interj. con que se denota vivo deseo de que suceda una cosa.&lt;/blockquote&gt;O que me intrigava, e me intriga, é o seguinte. Como pôde esta palavra, originalmente muçulmana, resistir à Reconquista, sobreviver a Inquisição e até mesmo -- feito ainda mais heróico -- meter-se na nossa Bíblia? Sim, porque, ao contrário do espanhol, em português (brasileiro, pelo menos), tal palavra é puramente literária. E, entre os poucos textos acessíveis a um menino de ginásio no interior de Goiás, a Bíblia era certamente a que fazia uso mais abundante desta palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uns poucos anos, porém, comecei a desconfiar que haveria uma conspiração contra esta palavrinha. Por exemplo, na última missa a que assisti (e isso faz um bom tempo), percebi que o padre sistematicamente a evitava, mesmo quando a dita cuja estava &lt;em&gt;impressa no roteiro da missa&lt;/em&gt;. Agora minhas suspeitas se confirmam. Fuçando na internet, descobri um &lt;a href="http://www.bibliaonline.com.br/"&gt;sítio&lt;/a&gt; que permite comparar diferentes versões da Bíblia. Fazendo isto, percebi que a versão atual do texto protestante (de &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Ferreira_de_Almeida"&gt;João Ferreira de Almeida&lt;/a&gt;) aboliu por completo o uso de &lt;em&gt;oxalá&lt;/em&gt;, muito comum em versões anteriores. Como ilustração, basta comparar duas versões de Salmos 139:19:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Oxalá que matasses o perverso, ó Deus, e que os homens sanguinários se apartassem de mim. [1967]&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;Ó Deus, tu matarás decerto o ímpio; apartai-vos portanto de mim, homens de sangue. [1994]&lt;/blockquote&gt;Em princípio, pareceu-me que &lt;em&gt;oxalá&lt;/em&gt; seria apenas mais uma vítima do modernismo lingüístico. Mas, notando que palavras ainda mais esdrúxulas e raras sobrevivem no texto atual (&lt;em&gt;galardão...&lt;/em&gt;), desconfio que a razão seja mais sombria: evitar qualquer alusão, acidental que seja, a Oxalá, o orixá que, na umbanda, é "associado à criação do mundo e da espécie humana" (segundo a &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Oxal%C3%A1"&gt;Wikipédia&lt;/a&gt;). Eu, que tenho uma tremenda simpatia por palavras (como outras tradições humanas) ameaçadas pelo preconceito e a ignorância, torço pela sobrevivência desta heroína. Queira Oxalá (e Deus, e Alá) que &lt;em&gt;oxalá&lt;/em&gt; perdure.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="355" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/MI5a2JxlJbw&amp;amp;hl=en"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/MI5a2JxlJbw&amp;hl=en" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5083967186888398674-6622252955799598751?l=blog.wado.us' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/6622252955799598751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/6622252955799598751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog.wado.us/2007/10/oxal-endangered-word.html' title='Oxalá: an endangered word?'/><author><name>Eduardo Rivail Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08756377846146708276</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03668214808110603566'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5083967186888398674.post-1510545407547154913</id><published>2007-10-09T16:06:00.001-04:00</published><updated>2008-06-20T12:41:22.600-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wordpress'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Karajá'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='semantics'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Laklãnõ'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='&apos;hunger&apos;'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Proto-Jê'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cognates'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Kaingáng'/><title type='text'>'The season of hunger': a note on historical semantics</title><content type='html'>As I mention in the "&lt;a href="http://kawina.wordpress.com/about"&gt;About&lt;/a&gt;" page, I'm currently working on a reconstruction of Proto-Jê, the common ancestor of the languages grouped under the Jê family (numbering around ten). Although similarities between the members of the family are generally easy to spot, a few cases prove a little more challenging (both phonologically and semantically).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;One of the recently reconstructed Proto-Jê words, &lt;em&gt;*prãm&lt;/em&gt; 'hunger', is inherited in Southern Jê (Kaingáng and Xokléng languages; the latter is now commonly referred to as &lt;a href="http://libdigi.unicamp.br/document/?code=vtls000373009"&gt;Laklãnõ&lt;/a&gt;) with the meaning 'summer' (see Wiesemann's &lt;a href="http://www.sil.org/americas/brasil/PortTcPb.htm"&gt;dictionary&lt;/a&gt;, for Kaingáng, and Bublitz's 1994 master's thesis, p. 47, for Laklãnõ). Although it is not hard to think of a plausible semantic connection between both concepts, some sort of independent confirmation is always welcome. In well-studied families, such as Indo-European, seemingly unlikely semantic connections can ultimately be proven to be true thanks to the existence of written documentation (in addition to the fact that the phonological correspondences are better established, etc.). In lesser-known families or stocks (such as Jê and Macro-Jê), such corroboration is much harder to come by. One has to look somewhere else for corroborating evidence.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sometimes, one or more related languages provide the "missing (semantic) link". For instance, the likely cognate of the Proto-Jê word *&lt;em&gt;kra&lt;/em&gt; 'offspring' in Karajá is &lt;em&gt;ra&lt;/em&gt; 'nephew', a possibility that went unnoticed by Davis (1968, 'Some Macro-Jê relationships,' IJAL). The semantic connection between both is far from obscure. But, if one is still unsure, the fact that the cognate in Xavánte (Central Jê) means both "offspring" and "nephew" makes the plausibility of the hypothesis even more obvious. (By the way, the likely Karajá cognate for Proto-Jê *&lt;em&gt;prãm&lt;/em&gt; is &lt;em&gt;&lt;span style="font-family:'TITUS Cyberbit Basic';"&gt;rǝma &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;'hunger', illustrating the same process of cluster simplification seen with &lt;em&gt;ra&lt;/em&gt; 'nephew'.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sometimes the semantic change under consideration is documented elsewhere (a fact that corroborates the plausibility of the hypothesis). In our case in point ("hunger" &amp;gt; "summer"), for instance, there is in the Mataco family a root that shows a similar semantic scope, in which a season comes to be associated with 'hunger': "invierno, época de hambre" (from Verónica Grondona's handout "Algunos cognados en las lenguas dela familia mataca", presented at the 52nd International Congress of Americanists, Seville, 2006). Other pieces of evidence which may shed light on the possible historical circumstances underlying the semantic change may be found in the ethnographic literature. In our case, the following passage, from Jules Henry's &lt;em&gt;Jungle People&lt;/em&gt; (1964, p. 6), on the Xokléng, may be elucidating:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;"The Kaingáng [Xokléng] are hungry in winter and early spring. Then the tracks of animals are hard to interpret and the tapir can run far and fast, for it is no longer burdened with its young and the forest is cool. To the Kaingáng the tapir is not only the most important food, it is the very symbol of food. When they have no tapir meat there is very little meat of any kind, for the tapir is most plentiful when the wild fruits and nuts are ripe, and when these are gone the monkeys and birds, the rodents and pigs, the deer and the tapir that have fed on them for months, grow scarce or vanish altogether.[...] Summer, with its warmth, its dryness, and its plenty, brings comfort at last to these people [...]."&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;The only apparent problem with this theory is how to reconcile the fact that (in the available literature) &lt;strike&gt;Kaingáng &lt;em&gt;pr&lt;span style="font-family:'TITUS Cyberbit Basic';"&gt;ŋ&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; and&lt;/strike&gt; Laklano &lt;em&gt;plõm&lt;/em&gt; mean 'summer', but, according to Henry's passage, it was &lt;em&gt;winter&lt;/em&gt; that made the Xokléng miserable. Considering, however, that what's "winter" or "summer" may vary considerably according to one's dialect (or sociolect), the hypothesis here may be on the right track. If Southern Jê &lt;em&gt;pr&lt;span style="font-family:'TITUS Cyberbit Basic';"&gt;ŋ&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;/&lt;em&gt;plõm&lt;/em&gt; indeed refer to the rainy season (as opposed to Henry's "[S]ummer, with its warmth, its &lt;em&gt;dryness&lt;/em&gt;, and its plenty"), then we'll have an interesting case in which ethnographic data help to explain a semantic diachronic change.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Águas de março nem sempre fecham o verão. &lt;/em&gt;In rural Brazil (at least Central Brazil, as far as I can tell), 'summer' is the lack of rain; 'winter' is the rainy season. The farmer and the weather person (as well as Tom Jobim!) may be talking about very different things with the "same" words.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Update&lt;/strong&gt; (October 10, 2007, morning)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In response to a query I sent to the Etnolingüística list, Wilmar D'Angelis (UNICAMP), an expert on Kaingáng language and culture, provided me with very interesting insights into this issue (which prompted the corrections above, in &lt;strike&gt;strikethrough&lt;/strike&gt;). Check &lt;a href="http://br.groups.yahoo.com/group/etnolinguistica/message/1393"&gt;it&lt;/a&gt; out.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;An afterthought&lt;/strong&gt; (October 10, 2007, evening)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;D'Angelis suggests that the fact that both "hunger" and "year" occur one after the other in Wiesemann's dictionary is in itself a good reason to consider them as (etymologically) connected. I guess it is quite the contrary: the fact that the author lists them in two different entries suggests that she saw them as a case of homonymy, not polysemy. This is one of those cases where the border between both categories is blurred -- and that's exactly what makes the kind of ethnographic data mentioned by Jules Henry (and D'Angelis himself) so important.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5083967186888398674-1510545407547154913?l=blog.wado.us' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/1510545407547154913'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/1510545407547154913'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog.wado.us/2007/10/season-of-hunger-note-on-historical.html' title='&apos;The season of hunger&apos;: a note on historical semantics'/><author><name>Eduardo Rivail Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08756377846146708276</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03668214808110603566'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5083967186888398674.post-6348285033384227477</id><published>2007-10-12T15:04:00.001-04:00</published><updated>2008-06-20T12:40:42.697-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wordpress'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='historical linguistics'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='press'/><title type='text'>"Palavras muito usadas não têm som alterado" [sic]</title><content type='html'>Este é o título de uma nota publicada ontem no &lt;em&gt;Estadão&lt;/em&gt; (divulgada no &lt;a href="http://jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=51370"&gt;Jornal da Ciência&lt;/a&gt;). A começar pelo título, a matéria dá a parecer que um estudo publicado agora na revista &lt;a href="http://www.nature.com/news/2007/071010/full/news.2007.152.html"&gt;&lt;em&gt;Nature&lt;/em&gt;&lt;/a&gt; teria concluído que "quanto mais uma palavra é usada, menos o som que a representa muda". Para qualquer um que aprendeu na escola que &lt;em&gt;vossa mercê&lt;/em&gt; veio dar no português &lt;em&gt;você&lt;/em&gt; (e, no português coloquial, simplesmente &lt;em&gt;cê&lt;/em&gt;), o texto do &lt;em&gt;Estadão&lt;/em&gt; seria de encabular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lendo o resto da nota, porém, percebe-se que parece haver uma confusão entre a &lt;em&gt;alteração da forma fonológica&lt;/em&gt; de uma palavra e a sua &lt;em&gt;substituição&lt;/em&gt; por outra. Palavras de alta freqüência tendem a ser substituídas com menos freqüência. Mas mudam sim, e muito -- a ponto de se tornarem irreconhecíveis. Pode-se dizer, aliás, que quanto mais uma palavra é usada, mais sujeita é a simplificação (ou erosão) fonológica, como ilustrado pelo exemplo mencionado acima (&lt;em&gt;vossa mercê&lt;/em&gt; &amp;gt; &lt;em&gt;você&lt;/em&gt; &amp;gt; &lt;em&gt;cê&lt;/em&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um exemplo clássico nos estudos do Indo-Europeu (para citar uma das palavras mencionadas na matéria) é a palavra armênia para "dois", &lt;em&gt;erku&lt;/em&gt;, que é -- ainda que não pareça -- cognata com &lt;em&gt;duo&lt;/em&gt; em latim e, claro, &lt;em&gt;dois&lt;/em&gt; em português (vide Antoine Meillet, &lt;em&gt;The Comparative Method in Historical Linguistics&lt;/em&gt;, 1967, p. 18). E, no tronco Macro-Jê, um morfema derivacional extremamente produtivo, que deriva nomes "de agente", é preservado em pelo menos duas famílias (Jê e Karajá), mas as semelhanças fonológicas são, à primeira vista, difíceis de se detectar (Karajá &lt;em&gt;-du&lt;/em&gt;, Xerente &lt;em&gt;-kwa&lt;/em&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se isto é tudo, o estudo, então, não chega a nenhuma novidade bombástica. A idéia de que há partes do vocabulário que são mais estáveis (ou seja, são substituídas menos rapidamente que outras) é a razão que subjaz, entre outras, à &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Swadesh_list"&gt;lista de Swadesh&lt;/a&gt;, na qual muitos se baseiam para diagnósticos (preliminares que sejam) de parentesco e de profundidade temporal de famílias lingüísticas.&lt;br /&gt;&lt;h3&gt;"Milestone"&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;An &lt;em&gt;Associated Press&lt;/em&gt; &lt;a href="http://dsc.discovery.com/news/2007/10/11/words_hum.html?category=human&amp;amp;guid=20071011100000&amp;amp;dcitc=w19-502-ak-0000"&gt;article&lt;/a&gt; about this study doesn't do much better in terms of explaining the findings, and it seems to exaggerate their significance even more:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;"Scientists have uncovered what might be called the law of language evolution: the more a word is used, the less likely it is to change over time. [...] [I]f [the study] also holds for other languages, it would be a milestone in understanding one of humanity's defining attributes."&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Milestone? Well, for linguists, this seems to have been textbook wisdom for a while now. As a (former) journalist, I understand the media's attempts to make Sci &amp;amp; Tech news more exciting to the general public. But, as a linguist, I find the truth of the facts exciting enough.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5083967186888398674-6348285033384227477?l=blog.wado.us' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/6348285033384227477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/6348285033384227477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog.wado.us/2007/10/palavras-muito-usadas-no-tm-som.html' title='&quot;Palavras muito usadas não têm som alterado&quot; [sic]'/><author><name>Eduardo Rivail Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08756377846146708276</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03668214808110603566'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5083967186888398674.post-3360337200116592135</id><published>2008-06-15T22:46:00.009-04:00</published><updated>2008-06-20T12:39:52.054-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guarani Paraguaio'/><title type='text'>"Ese famoso (y dichoso) bilingüismo paraguayo"</title><content type='html'>Acabo de ler um excelente artigo sobre o Guarani Paraguayo -- "&lt;a href="http://cvc.cervantes.es/obref/anuario/anuario_05/melia/"&gt;Ese famoso (y dichoso) bilingüismo paraguayo&lt;/a&gt;", escrito por Bartolomeu Meliá, uma das maiores autoridades no assunto. O artigo, publicado na edição de 2005 do &lt;em&gt;Anuario&lt;/em&gt; do Centro Virtual Cervantes (uma fonte muito útil, aliás, para quem tem interesse profissional pelo espanhol), apresenta um relato detalhado das origens do bilingüismo paraguaio, desde suas origens coloniais ao presente, incluindo o papel desempenhado pelo Guarani em momentos cruciais da história paraguaia, como as Guerras da "Triple Alianza" (conhecida, nos nossos livros de história, como a Guerra do Paraguai) e do Chaco. Eis um trecho da conclusão -- eloqüente, com uma pitada meio melancólica de poesia:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;"Cuando no se hable guaraní, cuando haya huecos y vacíos, como los comienza a haber en el mapa del Paraguay, en los que ya no se habla guaraní, la política lingüística se encontrará ante una selva deforestada, un campo de soledad y triste panorama, cuya recuperación costará al fin vanos esfuerzos. El castellano estará al mismo tiempo en peores condiciones para afirmarse. Ya lo estamos experimentando. Hay un tipo de globalización que sólo difunde la «no lengua», pobre y esmirriada, de los aeropuertos de paso y de las calles sin rostro."&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5083967186888398674-3360337200116592135?l=blog.wado.us' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog.wado.us/feeds/3360337200116592135/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5083967186888398674&amp;postID=3360337200116592135&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/3360337200116592135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/3360337200116592135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog.wado.us/2008/06/ese-famoso-y-dichoso-bilingismo.html' title='&quot;Ese famoso (y dichoso) bilingüismo paraguayo&quot;'/><author><name>Eduardo Rivail Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08756377846146708276</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03668214808110603566'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5083967186888398674.post-5853525395269010291</id><published>2008-06-09T09:03:00.014-04:00</published><updated>2008-06-20T07:52:13.768-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Karajá'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Javaé'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Xambioá'/><title type='text'>Kynyxiwe deu samba</title><content type='html'>Popularizados pela imprensa e por obras da literatura de aventuras (de autores como Willy Aurely e José Mauro de Vasconcelos), os Karajá são talvez um dos povos indígenas que mais espaço ocupam no imaginário popular brasileiro (ou, pelo menos, no Centro-Oeste). Mesmo com isto em mente, não deixou de me surpreender um fato que acabo de descobrir: em 1979, o samba-enredo da escola de samba carioca Estácio de Sá teve como tema as aventuras de Kynyxiwe [kənãʃi'wɛ], "trickster" que, na mitologia Karajá, é o responsável pela aquisição do fogo pela humanidade, entre outras façanhas. Trata-se do samba "Das trevas ao sol, uma odisséia dos Karajás" (de autoria de Elinto Pires e Leleco, interpretado por Leleco; letra e música disponíveis no site da &lt;a href="http://gresestaciodesa.com.br/site_2007/samba1979.htm"&gt;Estácio de Sá&lt;/a&gt;):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Olê, olê&lt;br /&gt;Olê, olá (bis)&lt;br /&gt;Se a vida tem segredo&lt;br /&gt;Urubu-rei pode contar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conta a lenda&lt;br /&gt;Que os Karajás&lt;br /&gt;Vieram do furo das pedras&lt;br /&gt;Tal e&lt;br /&gt;qual os javaés&lt;br /&gt;E os Xambioás&lt;br /&gt;No seu mundo encantado&lt;br /&gt;Só na velhice&lt;br /&gt;que a morte acontecia&lt;br /&gt;E a Siriema despertou, ô ô&lt;br /&gt;A curiosidade que havia&lt;br /&gt;Kaboi, o avoengo reuniu&lt;br /&gt;Guerreiros para explorar a terra&lt;br /&gt;E ficou&lt;br /&gt;desiludido&lt;br /&gt;Resolveu contar tudo a seu povo&lt;br /&gt;Que dividido partiu para um&lt;br /&gt;mundo novo&lt;br /&gt;Kanaxivue&lt;br /&gt;Bravo guerreiro casou com Mareicó&lt;br /&gt;E foi&lt;br /&gt;procurar a luz&lt;br /&gt;Para tornar o seu mundo bem melhor&lt;br /&gt;Morreu numa imensa&lt;br /&gt;odisséia&lt;br /&gt;Quando urubu-rei apareceu&lt;br /&gt;Lhe deu vida, o Sol, as estrelas&lt;br /&gt;E o luar&lt;br /&gt;E assim surgiu&lt;br /&gt;A lenda dos Karajás&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Não só de Kynyxiwe consiste o enredo, que também menciona um outro personagem de peso, Koboi [kəbo'i] (que, por sinal, não parece ocorrer no conjunto de histórias que têm Kynyxiwe como protagonista). Imagino que os autores do samba tenham se baseado na literatura etnográfica então existente e desconfio que, mais precisamente, tenham se baseado em trabalhos de Herbert Baldus, considerando, por exemplo, a maneira como escreveram o nome do nosso herói: Kanaxivue (vide o artigo de Baldus, de título idêntico, disponível na &lt;a href="http://biblio.etnolinguistica.org/baldus_1951_kanaxivue"&gt;Biblioteca Digital Curt Nimuendaju&lt;/a&gt;). É claro que o samba toma algumas liberdades poéticas. Mas não deixa de ser uma homenagem bem merecida a uma cultura fascinante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5083967186888398674-5853525395269010291?l=blog.wado.us' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog.wado.us/feeds/5853525395269010291/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5083967186888398674&amp;postID=5853525395269010291&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/5853525395269010291'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/5853525395269010291'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog.wado.us/2008/06/kynyxiwe-deu-samba.html' title='Kynyxiwe deu samba'/><author><name>Eduardo Rivail Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08756377846146708276</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03668214808110603566'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5083967186888398674.post-5662676952674905708</id><published>2008-02-11T18:39:00.001-05:00</published><updated>2008-06-15T23:37:27.368-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guarani Paraguaio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Karib'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mbyá'/><title type='text'>Recursos online: ERIC</title><content type='html'>&lt;a href="http://eric.ed.gov/"&gt;ERIC&lt;/a&gt; (Education Resources Information Center), iniciativa do Departamento de Educação dos EUA, é uma biblioteca digital de recursos sobre educação que oferece um amplo acervo de fichas bibliográficas anotadas, abrangendo especialmente periódicos científicos. Em muitos casos, o texto integral das publicações está disponível gratuitamente para download. É o caso, por exemplo, da monografia "&lt;a href="http://eric.ed.gov/ERICWebPortal/contentdelivery/servlet/ERICServlet?accno=ED465673"&gt;Paraguayan Education Study: A Pilot Study&lt;/a&gt;", de Patricia García (2002), e de várias edições dos Work Papers of the Summer Institute of Linguistics, muitas das quais incluem artigos sobre línguas indígenas da América do Sul — como, por exemplo, o &lt;a href="http://eric.ed.gov/ERICWebPortal/contentdelivery/servlet/ERICServlet?accno=ED335876"&gt;volume 35&lt;/a&gt;, que inclui os artigos "Are Cariban Languages Moving Away From or Towards Ergative Systems?", de Desmond D. Derbyshire, e "A Double-Verb Construction in Mbya Guarani", de Robert A. Dooley.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5083967186888398674-5662676952674905708?l=blog.wado.us' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog.wado.us/feeds/5662676952674905708/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5083967186888398674&amp;postID=5662676952674905708&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/5662676952674905708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/5662676952674905708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog.wado.us/2008/02/recursos-online-eric.html' title='Recursos online: ERIC'/><author><name>Eduardo Rivail Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08756377846146708276</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03668214808110603566'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5083967186888398674.post-8824529699091614045</id><published>2008-02-20T18:18:00.001-05:00</published><updated>2008-06-13T07:06:49.705-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Apalaí'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guajajara'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tembé'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Kaapor'/><title type='text'>A vida de Nosso Senhor Jesus Christo (Rice &amp; Kyle 1929)</title><content type='html'>O livreto &lt;a href="http://biblio.etnolinguistica.org/rice_kyle_1929_a_vida"&gt;&lt;em&gt;A vida de Nosso Senhor Jesus Christo&lt;/em&gt;&lt;/a&gt; (Scripture Gift Mission, Londres, 1929), com texto em português e Tembé "para servir à instrução religiosa dos índios Tembé e Guajajara", acaba de ser incluído no acervo da Biblioteca Digital Curt Nimuendaju. Embora a obra em si não contenha indicações de autoria, a ficha catalográfica do &lt;a href="http://worldcat.org/oclc/35894991"&gt;Worldcat&lt;/a&gt; lista como autores John M. Kyle (texto em português) e J. Duval Rice (texto em Tembé). Outros trabalhos de Frederick John Duval Rice, publicados originalmente no Journal de la Société des Américanistes, estão disponíveis online no site do projeto Persée: '&lt;a href="http://www.persee.fr/web/revues/home/prescript/article/jsa_0037-9174_1930_num_22_2_1073"&gt;A pacificação e identificação das afinidades linguisticas da tribu Urubú dos estados de Para e Maranhão, 1928-1929&lt;/a&gt;' (1930), '&lt;a href="http://www.persee.fr/web/revues/home/prescript/article/jsa_0037-9174_1931_num_23_1_1086"&gt;Short Aparai vocabulary&lt;/a&gt;' (1931) e '&lt;a href="http://www.persee.fr/web/revues/home/prescript/article/jsa_0037-9174_1934_num_26_1_1911"&gt;O idioma Tembé&lt;/a&gt;' (1934).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5083967186888398674-8824529699091614045?l=blog.wado.us' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog.wado.us/feeds/8824529699091614045/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5083967186888398674&amp;postID=8824529699091614045&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/8824529699091614045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/8824529699091614045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog.wado.us/2008/02/vida-de-nosso-senhor-jesus-christo-rice.html' title='A vida de Nosso Senhor Jesus Christo (Rice &amp; Kyle 1929)'/><author><name>Eduardo Rivail Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08756377846146708276</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03668214808110603566'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5083967186888398674.post-2273213707242953634</id><published>2008-06-01T18:23:00.024-04:00</published><updated>2008-06-02T22:53:14.026-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Karajá'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='homofonia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Proto-Jê'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rikbaktsá'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Chiquitano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Maxakalí'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Proto-Macro-Jê'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jê'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Apinajé'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pataxó'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ofayé'/><title type='text'>Homofonia em Macro-Jê</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_v_WBYByyEss/SERLCrxBiaI/AAAAAAAAAKk/hy94e2f84p8/s1600-h/mano_espina_p.97.png"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5207369578627303842" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="Detalhe (p. 97) da 'Arte y Vocabulario de la Lengua Chiquito', com as entradas para 'mano' e 'espina' (clique para ampliar)" src="http://2.bp.blogspot.com/_v_WBYByyEss/SERLCrxBiaI/AAAAAAAAAKk/hy94e2f84p8/s400/mano_espina_p.97.png" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;'Tecer', 'semente', 'fogo'&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos estudos comparativos das línguas do tronco Macro-Jê (cujas raízes são, em geral, monossilábicas e de estrutura silábica relativamente simples, favorecendo, assim, a existência de homofonia), percebemos que a existência de pares homófonos acaba tendo um valor diagnóstico interessante: se um par homófono em uma língua corresponde a um par homófono em outra, é um bom sinal de que as correspondências fonológicas detectadas estão no caminho correto. Um caso que mencionei em outra ocasião (Ribeiro 2004) é o das raízes 'semente' e 'tecer' em Karajá e Jê, homófonas em ambas as famílias; pesquisando um pouco mais, descobri que a homofonia vai mais além, ocorrendo também em Maxakalí e Rikbaktsá (Ribeiro, a sair):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PJê *&lt;em&gt;sɨ&lt;/em&gt; 'tecer', KRJ &lt;em&gt;ɗɨ, &lt;/em&gt;MXK &lt;em&gt;xap, &lt;/em&gt;RIK &lt;em&gt;-zik&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;PJê *&lt;em&gt;sɨ&lt;/em&gt; 'semente, KRJ &lt;em&gt;ɗɨ, &lt;/em&gt;MXK &lt;em&gt;xap, &lt;/em&gt;RIK &lt;em&gt;zik&lt;/em&gt; 'caroço'&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas famílias Jê e Maxakalí, a homofonia envolve também a raiz para 'fogo', cuja reconstrução inicial por Davis para o PJê, *&lt;em&gt;kuzɨ&lt;/em&gt;, foi revista para *&lt;em&gt;sɨ&lt;/em&gt;, graças principalmente aos dados do Panará (generosamente fornecidos por Luciana Dourado):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PJê &lt;em&gt;*-sɨ&lt;/em&gt; 'fogo', MXK &lt;em&gt;-xap&lt;/em&gt; (cf. Pataxó)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Karajá, a raiz para 'fogo', &lt;em&gt;hɛkɔɗɨ&lt;/em&gt;, provavelmente inclui um cognato da raiz para 'fogo' nas demais línguas (*&lt;em&gt;-ɗɨ&lt;/em&gt;), acrescido de possíveis elementos morfológicos fossilizados (cf. &lt;em&gt;hɛ&lt;/em&gt; 'lenha', &lt;em&gt;kɔ&lt;/em&gt; 'madeira'). Em Ofayé, as raízes para 'fogo' e 'semente' são parecidas (ʃãw e ʃa, respectivamente), mas não homófonas; se estas forem, de fato, cognatas com as formas Jê, Karajá e Maxakalí correspondentes, é provável que a homofonia não remonte ao Proto-Macro-Jê (o que parece ser corroborado também pelo Rikbaktsá &lt;em&gt;izo&lt;/em&gt; 'fogo' e o Kipeá &lt;em&gt;i-su&lt;/em&gt; 'fogo' -- se bem que, neste último caso, as formas para 'semente' ou 'tecer' não foram, aparentemente, documentadas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;'Carne', 'espinho', 'mão'&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isto para servir de introdução a um outro caso interessante de homofonia em Macro-Jê. Em nossos estudos comparativos demonstrando a inclusão da família Jabutí no tronco Macro-Jê, Hein van der Voort e eu (a sair) havíamos notado que as raízes para 'carne' e 'espinho' são homófonas tanto na família Jabutí, quando na família Jê [exemplos do Apinajé (Jê) e Djeoromitxí (Jabutí)]. Mais uma vez, esta homofonia ocorre também em outras famílias do tronco Macro-Jê, como Rikbaktsá (-&lt;em&gt;ni&lt;/em&gt; 'espinho', -&lt;em&gt;ni&lt;/em&gt; 'carne') e, de certa forma, Karajá (onde, caso cognata, a forma para 'espinho' incluiria elemento morfológico extra) e Chiquitano (onde a forma para 'carne', &lt;em&gt;ñ-añêe&lt;/em&gt;, parece incluir elemento morfológico fossilizado; cf. Adelaar 2005: cognato 23).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apinajé &lt;em&gt;ɲ-ĩ&lt;/em&gt; 'carne' (PJê *j-ĩ), DJE &lt;em&gt;nĩ&lt;/em&gt;, RIK &lt;em&gt;-ni&lt;/em&gt;, CHQ &lt;em&gt;ñ-añêe&lt;/em&gt;, KRJ &lt;em&gt;d-ɛ&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Apinajé &lt;em&gt;ɲ-ĩ&lt;/em&gt; 'espinho', DJE &lt;em&gt;nĩ&lt;/em&gt;, RIK &lt;em&gt;-ni&lt;/em&gt;, CHQ &lt;em&gt;ñ-êe,&lt;/em&gt; KRJ &lt;em&gt;l-ɛdɛ&lt;/em&gt;, MXK &lt;em&gt;yĩn&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda mais: homófona (ou, em Maxakalí, quase homófona) com ambas as formas é a raiz para 'mão' reconstruída para o Proto-Jê (em compostos), &lt;em&gt;*j-ĩ-,&lt;/em&gt; que tem prováveis cognatos em Chiquitano (&lt;em&gt;ñ-êe&lt;/em&gt;), Maxakalí (&lt;em&gt;yĩm&lt;/em&gt;) e Ofayé (&lt;em&gt;j-ĩ&lt;/em&gt;) -- além do Karajá *&lt;em&gt;d-ɛ-&lt;/em&gt; 'braço' (homófono de &lt;em&gt;dɛ&lt;/em&gt; 'carne'), que ocorre em compostos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Proto-Jê *&lt;em&gt;j-ĩ&lt;/em&gt;- 'mão', MXK &lt;em&gt;yĩm&lt;/em&gt;, OFY &lt;em&gt;j-ĩ&lt;/em&gt;, KRJ *&lt;em&gt;d-ɛ-&lt;/em&gt;'braço' (em compostos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mesma ressalva feita acima, com relação à forma para 'fogo' em Ofayé, Maxakalí e Rikbaktsá, deve ser feita aqui com relação à forma para 'mão' em Maxakalí: caso seja, de fato, cognata, isto sugeriria que a homofonia entre 'mão', de um lado, e 'carne'/'espinho', de outro, não remontaria ao Proto-Macro-Jê. [Há muito ainda a se aprender sobre as consoantes finais em Macro-Jê.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um tronco cuja unidade genética é, para alguns, improvável, exemplos como estes -- especialmente no caso de 'semente'/'tecer' e 'carne'/'espinho', que, a julgar pelas evidências disponíveis no momento, teriam sido homófonos em Proto-Macro-Jê (Ribeiro, a sair) -- ajudam a reforçar as hipóteses de parentesco, corroborando ou aprimorando correspondências levantadas anteriormente. A menos, claro, que no final se determine (o que eu duvido) que se trata não de homofonia pura e simples, mas de padrões bem documentados de polissemia. Será?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fontes:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dados do Karajá e do Ofayé são resultados de meu trabalho de campo. Os do Djeoromitxi são de Hein van der Voort. Dados do Apinajé foram obtidos da tese de doutorado de Christiane Cunha de Oliveira (2005). Dados do Chiquitano foram extraídos da "Arte y Vocabulario de la Lengua Chiquito" (1880), de Lucien Adam e Victor Henry (disponível &lt;a href="http://www.archive.org/details/Arte_Chiquita"&gt;aqui&lt;/a&gt;). Dados do Maxakalí e do Rikbaktsá foram extraídos dos dicionários de Popovich &amp;amp; Popovich (2005) e Tremaine (2007), respectivamente, ambos disponíveis no &lt;a href="http://www.sil.org/americas/brasil/PortTcPb.htm"&gt;site do SIL Brasil&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Referências:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adelaar, Willem. 2005. Relações externas do Macro-Jê: O caso do Chiquitano. To appear in Stella Telles (editor), Atas do V Encontro Macro-Jê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ribeiro, Eduardo R. 2004. Prefixos relacionais em Jê e Karajá: um estudo histórico-comparativo. Línguas Indígenas da América do Sul (LIAMES), 4:91-101.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ribeiro, Eduardo R. (a sair). A reconstruction of Proto-Jê (and its consequences for the Macro-Jê hypothesis).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ribeiro, Eduardo R &amp;amp; Hein van der Voort. (a sair). Nimuendaju was right: the inclusion of the Jabutí language family in the Macro-Jê stock. To appear in &lt;em&gt;International Journal of American Linguistics&lt;/em&gt; (special volume on historical linguistics in South America, edited by Spike Gildea and Ana Vilacy Galucio).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.box.net/shared/pp9ggkask8"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5207481774520754514" style="CURSOR: hand" alt="Clique aqui para baixar este 'post' em PDF." src="http://1.bp.blogspot.com/_v_WBYByyEss/SESxFWChYVI/AAAAAAAAALE/Lbh6-8dqgmA/s200/bus.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.box.net/shared/pp9ggkask8"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Clique aqui para fazer o download deste "post" em PDF.&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;]&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5083967186888398674-2273213707242953634?l=blog.wado.us' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/2273213707242953634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/2273213707242953634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog.wado.us/2008/06/homofonia-em-macro-j.html' title='Homofonia em Macro-Jê'/><author><name>Eduardo Rivail Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08756377846146708276</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03668214808110603566'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_v_WBYByyEss/SERLCrxBiaI/AAAAAAAAAKk/hy94e2f84p8/s72-c/mano_espina_p.97.png' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5083967186888398674.post-8103831065458177288</id><published>2008-05-31T19:25:00.004-04:00</published><updated>2008-06-01T08:55:29.868-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Karajá'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Javaé'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Suyá'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Trumai'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Txukahamãe'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Juruna'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tukuna'/><title type='text'>Anthology of Brazilian Indian Music</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_v_WBYByyEss/SEHROn15WXI/AAAAAAAAAKE/JaHLL-kLPhQ/s1600-h/anthology.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5206672693360417138" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_v_WBYByyEss/SEHROn15WXI/AAAAAAAAAKE/JaHLL-kLPhQ/s320/anthology.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Lançada originalmente em 1962, a coletânea &lt;em&gt;Anthology of Brazilian Indian Music&lt;/em&gt;, reunindo canções Karajá, Javaé, Krahô, Suyá, Trumai, Tukuna, Juruna e Txukahamãe coletadas por &lt;a href="http://biblio.etnolinguistica.org/autor:Harald_Schultz"&gt;Harald Schultz&lt;/a&gt; e Vilma Chiara, pode ser adquirida online no site do Smithsonian Global Sound (&lt;a href="http://www.smithsonianglobalsound.org/containerdetail.aspx?itemid=760"&gt;aqui&lt;/a&gt;). Mesmo para quem não planeja adquirir o CD inteiro, é possível adquirir canções "a granel". De toda forma, vale a pena visitar o site, já que é possível ouvir amostras de cada uma das canções. Acompanha o CD um guia (que pode ser baixado gratuitamente), escrito por Schultz e Chiara, com informações sobre os povos representados na coletânea. [Para mim, foi interessante saber que a canção "&lt;a href="http://odeo.com/show/19216493/1717123/download/Juparana.mp3"&gt;Juparaná&lt;/a&gt;", tão popular entre os Karajá, seria de origem Txukahamãe.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed name="odeo_player_gray" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" align="middle" src="http://odeo.com/flash/audio_player_gray.swf" width="322" height="54" type="application/x-shockwave-flash" quality="high" allowscriptaccess="always" wmode="transparent" flashvars="type=audio&amp;amp;id=19216493"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="PADDING-LEFT: 110px; FONT-SIZE: 9px; COLOR: #f39; LETTER-SPACING: -1px; TEXT-DECORATION: none" href="http://odeo.com/audio/19216493/view"&gt;powered by &lt;strong&gt;ODEO&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5083967186888398674-8103831065458177288?l=blog.wado.us' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/8103831065458177288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5083967186888398674/posts/default/8103831065458177288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog.wado.us/2008/05/anthology-of-brazilian-indian-music.html' title='Anthology of Brazilian Indian Music'/><author><name>Eduardo Rivail Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08756377846146708276</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03668214808110603566'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_v_WBYByyEss/SEHROn15WXI/AAAAAAAAAKE/JaHLL-kLPhQ/s72-c/anthology.bmp' height='72' width='72'/></entry></feed>